As tempestades internas. Acordo. E depois do quase despertar semelhante ao que era o normal, surge pura, sem tradução, uma expressão grudada: coldheartachefeeling.
Ela não virá: está. E se estabelece, fria e pesante; um quadrado comprimindo o peito, o coração. Misto de dimensões, me esfria e dolore mesmo antes do começo do dia.
Que passa rápido. Mas surgem rompantes inevitáveis. Descubro um lado novo da casa. Cheio de árvores. Agora é noite. A dor vem e volta. Descontrola. Meus cabelos cortados. Sento na calçada e fumo alguns Marlboros Azuis enquanto observo as árvores e olho os muros. Imagino um jardim selvagem verde e branco. É o que me permito citar: verde e branco. Verde. Branca. Jardim trancado por fora.
Jogo as pontas de cigarro e crio estrelas cadentes para as formigas. Nenhuma delas me toca ou incomoda. Involuntariamente as exorto: água e sal que sai de meu corpo. Água e sal e amor sendo purgado à força.
Preciso dormir, mas o sono não é mais sono; e sim um repouso horizontal antes do dia e do trabalho onde devo não transparecer meus demônios para as crianças. O senhor, elas dizem; o senhor cortou os cabelos. Os alunos mais velhos, adultos, percebem meus olhos tristes quando rapidamente me distraio entre os exercícios.
Não sei se escrevo. Mas sei que devo. É pra isso que estou aqui. Para escrever, contar histórias. Mesmo elas sendo por vezes tristes. Mesmo sabendo dos tantos, mas tantos, verbos desperdiçados. Tantas vozes minhas desperdiçadas. Tantas mãos e tantas bocas minhas desperdiçadas.
Partes dum corpo que é meu mas não o sinto e mesmo assim, uma após as outras, surgem palavras contidas pelas idéias que tento fazer não serem mais minhas. Mas elas vêm e voltam e me abraçam e me guiam até o leito.