13.2.09

Último Período


E as aulas começaram novamente. Só que desta vez, ao invés do eterno déjà vu entre roletas entulhadas de calouros e turmas veteranas vazias devido aos alunos ainda não matriculados (a crise! a crise!), tive uma súbita injeção de ânimo quando me toquei de que, finalmente, estou no último período.


Sem querer parecer blasé (prometo ser essa a última palavra fresca-francesa do texto), tal ânimo veio mais devido ao fim do que por um sentimento de “excelência” acadêmica. Claro que houve um bom acúmulo de conhecimento, aprendi muitas coisas e tal mas, no todo, não se compara ao prazer de se encerrar algo.


Minha primeira (e interrompida) faculdade foi um imbróglio. Engenharia Civil. Um curso de grade dificílima. A qual, somada às minhas dificuldades e desestímulo pelo lugar, pelas pessoas e pela profissão, me fizeram tomar a decisão de comprar um maço de cigarros no outro lado da cidade e nunca mais voltar. Sem trancamentos, despedidas, nada. Simplesmente saí andando.


Na de agora, Letras, foi tudo muito mais simples, mais enxuto. Distância. Horários. Afinidade acadêmica. Ambiente. Até mesmo o número de colegas mais próximos dobrou em relação à outra: antes era um, agora são dois.


Apenas rolou uma decepção ao perceber que o povo não dá a mínima para Literatura ou produção de textos. Na verdade, têm até um pouco de raiva. Querem mesmo é se formar para ensinar regras gramaticais em alguma escola. Nada contra, mas fazer o curso certamente não é apenas isso — Ser alguém que sabe usar crase e faz análise sintática mesmo bêbado andando de montanha-russa.


Apenas no período anterior um professor (de Literatura) falou o que eu gostaria de ouvir durante os outro cinco períodos: “Não penso ser esse curso apenas uma etapa na formação de professores; e sim algo que habilita profissionais em Língua Portuguesa. Ensinar, “dar aula”, é uma contingência.”


Ou seja, lecionar é um meio, não um fim. E o curso está cheio, lotado de gente que aposta na docência como objetivo de vida; normalmente cercado de um pensamento utópico que os faz quererem ser como aqueles professores do cinema que assumem uma sala cheia de delinquentes e os transforma em matemáticos ou escritores. Claro que não torço contra; mas todos sabem que a balança pende mais para a decepção do que para o milagre.


Quanto a mim, além do fim anunciado acima, não sei o que virá. Em relação a tudo. E isso me traz uma paz estranha.

Angustiosa, mas ainda paz. Um paz cheia de travessões e pontos-e-vírgulas.


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