As pessoas que executam tarefas simples fazem-me ter uma consciência social senão plena, ao menos bem mais ampla do que eu tivera.
Isso surgiu com a imensa gama de oportunidades surgidas após eu encerrar o tempo do meu último emprego. Digo imensa porque me situei irreversivelmente entre duas áreas, exatas e humanas e, somadas a elas, vi à disposição toda uma gama de serviços aos quais eu certamente recorreria se estivesse em sérios apuros: escritório, atendente e tantos outros dos quais só excluo o de michê porque sou avesso a mulheres coroas e homens de todas as idades.
Se você pegar o jornal de domingo, Manaus, verá: 581 oportunidades de emprego. Quinhentas e oitenta e uma! Como alguém pode se queixar sobre a falta de oportunidades? Pior, como alguém pode ficar desempregado e enfrentar dificuldades com tantos contratantes oferecendo empregos?
A resposta, ao meu ver, é bem simples: as vagas existem, o inferno é se enquadrar numa delas.
Não falo quanto às especializadas, isso seria óbvio; e sim quanto a nós mesmos em relação às intelectualmente e fisicamente compatíveis: com o passar do tempo você se enquadra numa certa atividade e, com mais um punhado de anos, se estabiliza nela e deixa de olhar tanto para cima quanto pra baixo. (Considerem o "a" a mais na subida como um símbolo para a dificuldade)
Depois de certo tempo, torna-se impossível almejar algo superior e um pesadelo vergonhoso ter que prestar um serviço aquém da capacidade itelectual e do comodismo físico de outrora. Algo como o mestre que encontra uma barreira ininteligível para chegar a um pós-doutorado, ou um comeciante bem sucedido que não vê possibilidade em chegar ao primeiro bilhão. O oposto de tais exemplos seria o primeiro se ver obrigado a dar aulas para o sexto ano do ensino básico e o segundo passar a atender bebuns numa mercearia em um bairro planejado (tomando como base uma tela de Pollock). Ou seja, depois de algum tempo, o ideal é se manter equilibrado: nem glória e nem fracasso. Qualquer oscilação nessa balança causa uma náusea constante.
Acho que esqueci de algo... Sim! Os sonhos! Como realizá-los tendo que acordar todos as melhores manhãs do ano para trabalhar e pagar as contas?
Amiga leitora, se eu soubesse... A primeira coisa que me ocorre é a de sempre: ganhar um prêmio milionário. 30 milhões na loteria. Aí sim, poderíamos realizar nosso melhor talento entre todos: não fazer nada. Claro que não aquele nada "nada"; e sim o nada legal, cheio de atividades prazerosas.
Também poderíamos aguardar um milagre de Deus. O que, comparado com os 50.063.860 para 1 — a probabilidade de acerto de 1 bilhete da Mega-Sena — é bem mais possível.
Digo isso após consultar as probabilidades de se ficar louco.
Boa segunda-feira.



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