Um dia a mais. Uma hora a mais antes de pôr os pés no chão e finalmente encerrar mais um ciclo. Esse mês prolixo que parecem dois. Parecia duas — Metade compromisso, metade reticência para esquecer a leveza das festas do início do ano. Um minuto a mais na cama, um dia a mais no mês, um ano a mais de nossas vidas.
Março é grande a ponto de nos fazer confundir (novamente) as festas do ano passado com as festas dos anos anteriores. Janeiro e sua morosidade. Fevereiro turbo, quase um anexo ao mês primeiro. Essa tristeza pela falta de dias mais leves, o trabalho permeando tudo. E o trabalho necessita ser feito. Todos por todo mundo.
Não há de ser nada, eu dizia, ágil, afastando as sandálias para os pezinhos não tocarem o chão frio e não serem canal aberto para a gripe e os espirros. E o mês de março é cheio deles. Febres, espirros. Consequência desse calor e dessas nuvens sobre as nossas cabeças. Também parte psicossomaticidade. Hoje não quero ir, você diz. Mas o trabalho tem que ser feito, eu digo. As pessoas estão te esperando.
A expressão resignada antes do corpo se erguer da cama. Arrastando partes de lençol, almofadas. Despindo as confortáveis peles do sono. As sandálias de borracha, agora engastadas nos pezinhos, a levam, gradativamente, à primeira porta de uma série de outras que a levarão aos compromissos. E o ano mal está no começo. Mas passa rápido. E logo chega o meu Dezembro.



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