27.5.09

Cassie contra o Mal






























Todo leitor que se preze, por mais atribulado com afazeres menos importantes do que a leitura, mais as leituras mais importantes, mais as leituras chatas e necessárias; em suma, todas as coisas que exigem ser lidas, deve dedicar um tempo às leituras ruins e divertidas.


Minha leitura boba e ruim preferida é Hack Slash: um quadrinho norteamericano que tem como protagonista uma teenager matadora de slashers.


Cassie Hack caça slashers, aqueles assassinos mortos-vivos que nunca morrem porque têm um ódio irracional. Algo como o Jason, ou o Chucky ou o Mike Myers e o Freddy Krueger.


E isso é tudo. Todo o argumento. E nada melhor do que um argumento simples acrescido de todos, digo, todos os elementos dessa cultura underground que faz parte da vida de todas as pessoas que dignaram algumas horas da vida a ver um filme sem sentido protagonizado por um serial killer sobrenatural que nunca morre ou, quando morre, ressuscita de forma ainda mais absurda.


Além do argumento ruim, várias coisas me fazem gostar das histórias protagonizadas por Cassie Hack, ela própria filha duma serial-killer e que, para exorcizar a infância traumática, percorre todos os Estados Unidos da América: O bom humor, a leveza, mesmo em meio a tanto sangue, o traço que me lembra as saudosas Penthouse Comics, mas sem nada original; apenas as tramas que seguem a mesma linha de pensamento da falsa mitologia moderna: juntar tudo de todas as coisas já criadas para, no final, conseguir um resultado medíocre.


Se fosse um livro Hack Slash seria, realmente, uma porcaria ofensiva. Mas não o é porque é desenhado. Porque podemos ver Cassie em enquadramentos generosos enquanto destroça zumbis ou foge dum inferno composto por capetas lovecraftianos para, em seguida, combater roqueiros com almas perdidas e, na mesma história, divagar sobre sua ambiguidade sexual. Tudo e nada ao mesmo tempo.


Sem sequelas, apenas diversão para quem se interessa por essa temática que brinca com um imaginário bobo sobrenatural sem início nem fim. Algo que, assim como um machado entrando no ombro dum morto-vivo, não dói. E, com certo esforço, é até bom.


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