23.6.09

Nick Belane


"Frequentemente, os melhores momentos na vida são quando a gente não está fazendo nada, só meditando, ruminando. Quer dizer, a gente pensa que todo o mundo é sem sentido, aí vê que não pode ser tão sem sentido assim se a gente percebe que é sem sentido, e essa consciência da falta de sentido já é quase um pouco de sentido. Sabe como é? Um otimismo pessimista."
(BUKOWSKI, Charles. Pulp. pg 131)


19.6.09

Desde o século 20

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fazem treze anos que o Green Day é a melhor banda de punk rock do mundo.


Afirmo isso após considerar três fatos:

1. O fim dos Ramones, em 1996;

2. O de todas as bandas punk de verdade (e os Ramones foram a melhor que já existiu) reelaborarem seu som com o passar dos anos e nem por isso deixarem de serem punks;

3. O de que todas as bandas contemporâneas do Green Day com o passar dos anos ficaram repetitivas e por isso datadas e por isso constrangedoras.


O Green Day, muito pelo contrário, continua na ascendente com o seu novo álbum: 21st Century Breakdown.

Sério. Eles põem no bolso todas as bandas de punk rock em atividade.


Suas músicas possuem todos, repito, todos os maneirismos possíveis surgidos no punk rock desde que Joey e Johnny o inventaram e foram seguidos por tantos outros caras geniais de personalidade duvidosa.

Seguindo a mesma linha do seu antecessor, American Idiot, o álbum de agora também circula em torno duma temática que é algo “o que está acontecendo com o mundo e como a América está no meio da coisa toda”. Títulos como East Jesus Nowhere, The Static Age e Last Of American Girls são uma amostra imediata dessa busca por um sentido patriota sem ser babaca: o grande pecado estadunidense agravado ainda mais nos últimos oito anos.


O álbum nos faz pensar na boa América. A que tenta respirar agora. A mesma que se faz presente nas músicas caipiras do Wilco e nas músicas bissextas do Marcy Playground.

Um país cujas contribuições possuirão, acima de todas as outras, porn, Apple e hotdog, uma grande colaboração redentora: a de ter criado o rock and roll.

O bom, velho e repetitivo rock and roll remendado na lógica trinária do punk rock: poucas notas, porém tocadas de formas diferentes; vigor, raiva passional e, principalmente, inspiração.


Será que todas essas qualidades tornam o cara atemporal? Eles estão com 37 anos e parecem cada vez mais jovens. Os Ramones, quando na banda, continuaram todos com a mesma cara mesmo um tanto quanto decrépitos. Porém sempre legais .

Não sei. Pode ser.

Na dúvida, vou continuar ouvindo 21st Century Breakdown de novo e de novo.


17.6.09

Janelas


Meu curso de Letras está terminando de forma tranquila e morosa. Sem tantas aulas, sem dramas para fazer o trabalho final por este ser um artigo sobre algo que gosto muito e que vinha pensando ao longo de certo tempo. Acho que ainda teremos mais duas semanas de aula e depois, finalmente, o fim. Sem mais faróis inclinados na ladeira da Leonardo, digital no leitor embaçado, tolerância com os extremos da sala de aula.



Tudo passa muito rápido. Me espanto quando vejo a data da última publicação por aqui. Quase um mês. Várias tarefas. Janelas paras as quais olho dentro e devaneio para outro nível de realidade. Esta tela. A revista que li há pouco. Um livro. Os cigarros abandonados ao lado do telefone. A televisão ligada à frente.


Enquanto me dou conta dessas pequenas janelas vejo na tevê uma Neve Campbell lendo Celine sobre a cama. Garotas Selvagens: um filme tão ruim que virou cult. Nunca lembro da trama, apenas da cena do beijo. Apesar de sortudo, o Matt Dylon só afastou a fama de canastrão quando interpretou o Hank em Factótum e pegou umas mulheres feias. Se deu bem porque o Hank em si era um canastrão por natureza. Se um dia filmarem Pulp, o ator será novamente uma boa escolha; até porque o Hank sempre é o mesmo. No momento não consigo pensar em quem interpretaria Celine.


Eu estava no escritório relendo Celine. Acendi um dos cigarros adormecidos por dias e dias e Dona Morte veio novamente falar comigo. Sempre o mesmo vestido deixando à mostra as panturrilhas e os peitos. O mesmos cabelos úmidos e alinhados recendendo a cloro de piscina.


Um começo de conto.