Meu curso de Letras está terminando de forma tranquila e morosa. Sem tantas aulas, sem dramas para fazer o trabalho final por este ser um artigo sobre algo que gosto muito e que vinha pensando ao longo de certo tempo. Acho que ainda teremos mais duas semanas de aula e depois, finalmente, o fim. Sem mais faróis inclinados na ladeira da Leonardo, digital no leitor embaçado, tolerância com os extremos da sala de aula.
Tudo passa muito rápido. Me espanto quando vejo a data da última publicação por aqui. Quase um mês. Várias tarefas. Janelas paras as quais olho dentro e devaneio para outro nível de realidade. Esta tela. A revista que li há pouco. Um livro. Os cigarros abandonados ao lado do telefone. A televisão ligada à frente.
Enquanto me dou conta dessas pequenas janelas vejo na tevê uma Neve Campbell lendo Celine sobre a cama. Garotas Selvagens: um filme tão ruim que virou cult. Nunca lembro da trama, apenas da cena do beijo. Apesar de sortudo, o Matt Dylon só afastou a fama de canastrão quando interpretou o Hank em Factótum e pegou umas mulheres feias. Se deu bem porque o Hank em si era um canastrão por natureza. Se um dia filmarem Pulp, o ator será novamente uma boa escolha; até porque o Hank sempre é o mesmo. No momento não consigo pensar em quem interpretaria Celine.
Eu estava no escritório relendo Celine. Acendi um dos cigarros adormecidos por dias e dias e Dona Morte veio novamente falar comigo. Sempre o mesmo vestido deixando à mostra as panturrilhas e os peitos. O mesmos cabelos úmidos e alinhados recendendo a cloro de piscina.
Um começo de conto.



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