19.7.09

ABC

Sempre amei Paulina. Numa das minhas primeiras lembranças, Paulina e eu estamos ocultos numa obscura pracinha cercada de loureiros, num jardim com leões de pedra. Paulina me disse: "Gosto do azul, gosto das uvas, gosto do gelo, gosto das rosas, gosto dos cavalos brancos". Compreendi que minha felicidade havia começado, porque nessas preferências podia me identificar com Paulina. Nós nos parecíamos tão milagrosamente que, num livro sobre a reunião final das almas na alma do mundo, minha amiga escreveu na margem: As nossas já se reuniram. "Nossas", naquele tempo, significava a dela e a minha.

(CASARES, Adolfo Bioy. Em Memória de Paulina. In: Histórias fantásticas. Cosacnaify. Pg 07)


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