28.7.09

Peso



E tudo o que restou foi o peso. Na verdade a ilusão do. O lado do colchão esperando o peso do corpo. O travesseiro esperando a inusitada função negativa de exercer o peso confortável sobre o rosto. A cerâmica sob o chuveiro rangendo sob o peso dos pés molhados. A cerâmica inerte escapando sob a estrutura das mãos e das costas apoiadas sobre. O assento da cadeira marcado pelo peso do tronco. A grama marcada pelos passos e as formigas assassinadas involuntariamente carregadas pelas formigas reminiscentes. Os espaços vazios reclamam assim como reclamam os objetos e os móveis sem exigência. O sofá vazio no meio, aguardando repousar o corpo como que a vítima de um acidente seriada por espasmos lentos.




Acorda. Move-se lentamente e tenta abraçá-la. Não o deixa. Ainda sobre a cama tenta um último contato débil tentando se assegurar daquela realidade. Suas digitais sentem certa repulsa. Desiste. Uma a uma, despe as cruzetas multicoloridas. Dobra as roupas por critério cromático. Negras. Vermelhas. Azuis. Brancas. O uniforme. O rosto não apresenta desordem de sono. Não dormiu. Experimenta certo calor no rosto enquanto caminha em direção à saída: Uma cerca presa por uma corda. O mesmo carro passa sobre a mesma hora: Um astro automotor andando em círculos planos e exatos. Branco. O pára com um gesto simples. O automóvel é frio por dentro. Vê do lado de fora o portão entreaberto e torto ameaçado por uma colméia crescente. Parte.

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