
O Muse me fez (re)começar a ouvir rock progressivo sem eu me dar conta disso.
A estranha combinação de glam rock e teclados de seriado japonês que sempre gostei de ouvir gruda nos ouvidos. As sonatinhas de piano que eu costumava ouvir incidentalmente quando era criança: Aquelas músicas tristes e belas cujo número a gente não lembra nunca.
Aparecem também as orquestrações de filmes com seus violinos e mais violinos. E mais as coisas espaciais e marciais misturadas com sintetizadores dos discos do Bowie e os falsetes do Thom Yorke misturados a refrães estilo Queen com vocais dobrando-se de forma operesca.
Tantos elementos misturados são suficientes para se amar ou odiar The Resistance, o novo álbum da banda. "Rock progressivo é tão chato! Como alguém pode ter saco para ouvir Rush, Pink Floyd, Muse e etc?"
Porque quem começou a ouvir essas bandas quando eles eram... humanos, digamos assim, foi gradualmente conduzido a essas novas sonoridades. E porque muitas vezes gostar de uma banda é algo irreversível, por mais que às vezes essa banda irrite.
Algo como ter começado a ouvir Radiohead na é poça em que se podia tocar Freak em qualquer violão e agora ser admirador de uma sucessão labiríntica de palavras misturadas a fraseados de guitarra e barulhinhos impossíveis de serem reproduzidos por ninguém além deles mesmos.
Da mesma forma que os fãs de longa data de tais bandas, eu comecei a ouvir The Resistance com um preconceito empático porque já fora guiado do britpop assim meio cópia do Radiohead até essa coisa pretensiosa, megalômana, resvalando no cafona, mas que no todo se salva por soar algo apaixonado.
E a passionalidade é o único lado bom da megalomania.



1 comentários:
Creep, né?
Não consegui gostar de Muse e olha que baixei tudo e ouvi com calma... Devo ter problemas :(
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