A luminária, ao lado, no criado-mudo, irradia uma falha intermitente. Apaga quase, volta forte e logo esmaece. Ilumina apenas metade do rosto; ora contém, ora absorve o escuro. Porta-luz. Semi. Quase inteira: assim te observo. E a expressão grave compenetrada do sono de respiração inconstante e parte do maxilar na palma de minha mão.
Acorda. A voz faz-se imperativa. Joga-se no banheiro. Batiza-se pro dia novo. Acorda, ele diz a si mesmo. Escolhe roupas. Cruzetas lembrando clavículas. Umas vazias, outras com pano sobre.
É esse o problema, marcos. As letras o atormentam. Você não vai as organizar sobre isso? Digamos assim, no sentido de narrar. Seria bom. E ele diz não ainda porque os rancores e as paixões possuem as estruturas verbais mais fortes. Desde o início funcionando como sequencias antepensadas. Estruturas para depois dos trinta.
Ainda existe muito papel a ser sujo com letras.



0 comentários:
Postar um comentário