"Frequentemente, os melhores momentos na vida são quando a gente não está fazendo nada, só meditando, ruminando. Quer dizer, a gente pensa que todo o mundo é sem sentido, aí vê que não pode ser tão sem sentido assim se a gente percebe que é sem sentido, e essa consciência da falta de sentido já é quase um pouco de sentido. Sabe como é? Um otimismo pessimista."
23.6.09
Nick Belane
"Frequentemente, os melhores momentos na vida são quando a gente não está fazendo nada, só meditando, ruminando. Quer dizer, a gente pensa que todo o mundo é sem sentido, aí vê que não pode ser tão sem sentido assim se a gente percebe que é sem sentido, e essa consciência da falta de sentido já é quase um pouco de sentido. Sabe como é? Um otimismo pessimista."
19.6.09
Desde o século 20

Já fazem treze anos que o Green Day é a melhor banda de punk rock do mundo.
Afirmo isso após considerar três fatos:
1. O fim dos Ramones, em 1996;
2. O de todas as bandas punk de verdade (e os Ramones foram a melhor que já existiu) reelaborarem seu som com o passar dos anos e nem por isso deixarem de serem punks;
3. O de que todas as bandas contemporâneas do Green Day com o passar dos anos ficaram repetitivas e por isso datadas e por isso constrangedoras.
O Green Day, muito pelo contrário, continua na ascendente com o seu novo álbum: 21st Century Breakdown.
Um país cujas contribuições possuirão, acima de todas as outras, porn, Apple e hotdog, uma grande colaboração redentora: a de ter criado o rock and roll.
O bom, velho e repetitivo rock and roll remendado na lógica trinária do punk rock: poucas notas, porém tocadas de formas diferentes; vigor, raiva passional e, principalmente, inspiração.
Será que todas essas qualidades tornam o cara atemporal? Eles estão com 37 anos e parecem cada vez mais jovens. Os Ramones, quando na banda, continuaram todos com a mesma cara mesmo um tanto quanto decrépitos. Porém sempre legais .
Na dúvida, vou continuar ouvindo 21st Century Breakdown de novo e de novo.
17.6.09
Janelas
Meu curso de Letras está terminando de forma tranquila e morosa. Sem tantas aulas, sem dramas para fazer o trabalho final por este ser um artigo sobre algo que gosto muito e que vinha pensando ao longo de certo tempo. Acho que ainda teremos mais duas semanas de aula e depois, finalmente, o fim. Sem mais faróis inclinados na ladeira da Leonardo, digital no leitor embaçado, tolerância com os extremos da sala de aula.
Tudo passa muito rápido. Me espanto quando vejo a data da última publicação por aqui. Quase um mês. Várias tarefas. Janelas paras as quais olho dentro e devaneio para outro nível de realidade. Esta tela. A revista que li há pouco. Um livro. Os cigarros abandonados ao lado do telefone. A televisão ligada à frente.
Enquanto me dou conta dessas pequenas janelas vejo na tevê uma Neve Campbell lendo Celine sobre a cama. Garotas Selvagens: um filme tão ruim que virou cult. Nunca lembro da trama, apenas da cena do beijo. Apesar de sortudo, o Matt Dylon só afastou a fama de canastrão quando interpretou o Hank em Factótum e pegou umas mulheres feias. Se deu bem porque o Hank em si era um canastrão por natureza. Se um dia filmarem Pulp, o ator será novamente uma boa escolha; até porque o Hank sempre é o mesmo. No momento não consigo pensar em quem interpretaria Celine.
Eu estava no escritório relendo Celine. Acendi um dos cigarros adormecidos por dias e dias e Dona Morte veio novamente falar comigo. Sempre o mesmo vestido deixando à mostra as panturrilhas e os peitos. O mesmos cabelos úmidos e alinhados recendendo a cloro de piscina.
Um começo de conto.


