27.9.10

Be Mine


Nalgumas poucas noites eu tenho paciência para o violão. É uma coisa que requer dedos disponíveis e uma tablatura: aquelas anotações disponíveis na internete que transcrevem em arquivos txt meses de trabalho de um guitarrista talentoso para serem copiados por qualquer sujeito que tenha um violão ou guitarra e uma certa vontade secreta de um dia ser admirado pelo seu talento até então oculto.

Be Mine é a melhor letra assumidamente romântica escrita por Michael Stipe — o melhor letrista do rock norteamericano em atividade (o do rock britânico é o Morrissey). A usei na aula da manhã. Os alunos trabalharam em dupla para inferir o significado dos verbos pluck, tar, weave. Ouvimos a letra duas vezes e meia. E depois comentamos os léxicos que transitam por sobre a música. Amor, religião; o amor como religião: a decisão mais sensata de todas.

As audições foram suficientes para que eu, que ouvira a música dezenas de vezes, fixasse definitivamente a letra e, em casa, à noite (a hora propícia para os amadores tocarem violão), pegar a tablatura e tentar tirar a música. Consegui. Toquei-a várias vezes e funcionou. Soou igual.

Os dedos doeram e deixei o violão de lado no quarto. Pousado em pé em frente ao deck de CDs que frequento ainda menos que o vilão e voltei ao computador onde os dedos não doem, mas não há tablatura a se seguir além das internas desconhecidas.

25.9.10

A Rua


Quebro a parede o quarto. Deixo o portão aberto. Durmo na rua. No meio da noite acordo e me encontro sozinho. Os insones acordam por volta das três horas — hora que algum roteirista hollywoodiano filho da puta convencionou dizer ser a hora que o diabo está à solta e atuando sobre os corpos ainda acordados dos homens.


Sei não existir tal coisa porque o sobrenatural não existe. Seria uma piada frente à rigidez única da matéria que sempre houve e que compõe a minha casa, o meu rosto, a pele entre e ao lado das minhas unhas, os meus dentes e o ar que entra e sai e me irriga o corpo.

A matéria é o que nos cabe e o sobrenatural é um covarde que sei não existir por só se fazer presente nos filmes para atrair milhões de espectadores. Sei, apesar da pressão fria sobre o meu peito e do frio dormente no braço esquerdo quando acordo no meio da noite. Sei não existir tal coisa, diabo: um sujeito patético e vermelho que faz com que os homens façam o mal como se precisassem da ajuda de ao menos uma brisa para pensarem bobagens e criarem horrores físicos.

O meu sonho sendo vítima de uma personagem que algum roteirista religioso filho da puta sem imaginação criou há vários séculos e convencionou-se existir após dezenas de horas insones regradas a leituras de livros mal escritos. Mesmo assim, no benefício insone da dúvida, faço o sinal da cruz e adormeço novamente. Funciona.

Em termos. Sonho com uma prateleira e observo a fileira de cima, ocupada por livros velhos com capa de couro, ser coberta por uma sombra e ser, logo em seguida, incendiada. Apenas os livros velhos se incendeiam. E não faço nada para salvá-los porque, para mim, no sonho, aquilo é um fenômeno sobrenatural e eu supostamente devo respeitá-lo.

Então eu meio que compactuo e me admiro com a coisa como se a coisa merecesse algum respeito. Um absurdo ridículo que causaria sombras inexplicáveis e queimaria livros para quê? Para me assustar talvez e causar certo respeito. Eu sou o mal! Eu te faço acordar e te faço sonhar com livros queimando. Mas que grande bosta incultada em minha imaginação e que não posso fazer nada a respeito pelo fato de meu corpo estar imerso na tentativa de repouso e de sono! O sobrenatural então é como um peido: incômodo e invisível.

Seria um recurso ridículo: uma chama, um braço dormente. Mas que mesmo assim, inconscientemente, me impressiona devido a essa coisa atávica de milênios que sempre permanecerá adormecida e me fará, tempos em tempos, acordar assustado. E, atavicamente, me fará fazer o sinal da cruz. E me fará sentir melhor após isso e, aí sim, dormir até bem antes da hora de acordar para o trabalho.

E não haverá absolutamente nada de sobrenatural quando eu subir o primeiro degrau do ônibus. Só haverá o sol e as pessoas indo a algum lugar, sem qualquer mágica além da que elas mesmas criam.

As Paredes


Uma decisão estranha, a de pintar a parede contrária à porta do quarto de vermelho fazendo contraponto à cama branquíssima de lençóis esticados como os de hotel sério.


Gastara um bom dinheiro fazendo a mistura das latas vermelhas até chegar a uma cor sangue tipo O negativo simplesmente porque sonhara consigo mesmo pintando a mesma parede com a pontas dos dedos abertas e depois sentava-se e fumava um cigarro que cicatrizava os ferimentos e os tornava cinza- lavável.


Sentou-se e inalou o cheiro de tinta nova. A tinta sobre as paredes causava tal efeito. Aquela coisa Natal, efeméride vermelha. Sentou e aguardou-a. Os cantos do lençol da cama com dobras de hotel ou de Exército. Mandou mensagens, exortou-a, tentou mais de um par de vezes e agora a aguardava. Essa necessidade cega e febril de estar sempre em companhia.


Apenas uma das mensagens obtivera resposta. Talvez eu vá, se ainda não estiver muito ocupada. Uma formiga começou a passear sobre a parede vermelha. As formigas seriam então personificações de problemas rondando a existência. Pensa-se estar tudo em ordem e um deles, minúsculo, aparece, e passa a incomodar até se tornar um caminho constante e agressivo.


Poderia colocar futuramente um relógio sobre a parede nova. Um relógio imenso, um metro de diâmetro, como o que sempre observa na vitrine da loja de decoração a caminho do trabalho. Os relógios sempre andam à frente; quando se olha sempre está algo passando no máximo, e atrás do ponteiro todo o tempo de uma vida. Nascera às quatro horas e quarenta e três minutos. É quase meia-noite, o que o fará nascer dali a algumas horas. Nascerá dormindo ou acordado. Sozinho ou em companhia. Mas renascerá como tem renascido dia após dia.


Apenas o cachorro mais irracional da rua continua latindo para o vento. Ou para os espíritos, como poderiam afirmar algumas pessoas humanamente mais irracionais do que o último cachorro irracional da rua. Sempre ganhara deles, do cachorros, quando resolvera ser ele mesmo o último cachorro da rua e permanecer acordado até as quatro. Ninguém aparece. As mensagens não retornam.


Está só e ficando ébrio progressivamente. Abre o livro imenso que está lendo parece desde que nascera. Lê dezenas de livros por ano mas neste ano, 2010, mal passara da primeira dezena pelo fato deste livro que tem em mãos, 2666, ser um amontoado gigante febril de cinco romances que beira as mil páginas.


Um amontoado febril. Livro após livro. Leituras paralelas. Tramas que se concatenam e formam um livro só e, mesmo após tamanha demanda, os livros continuam. Fecha-se e põe-se na estante; não esquecido; admirado, ao invés. E depois o lerá de novo. O abrirá, cheirará e lerá os melhores trechos. Os pequenos gozos regendo as leis dos homens.


Olha a frente da casa, sai à calçada e observa o terreno vazio, as árvores magras e mais formigas sobre o chão. Essa coisa Buendía o incomodando e as luzes dos postes parecendo cada vez mais tristes. São uma ou duas horas e está mais sozinho do que jamais estivera porque não reconhece nem a si mesmo. Talvez pela proximidade das horas que tangenciam o seu nascimento quase trinta horas de anos atrás.


Entra. Bate os cadeados. Fecha a porta. O cheiro vermelho de tinta no quarto. O livro que não termina. A mulher que não aparecerá. A sina dos romances inacabados, não totalmente escritos, abandonados lá pela metade e passados à frente ou jogados fora.


Senta sorrindo no sofá-cama e idealiza novas cores para as paredes. Uma lilás e outra com superfície negra possibilitando a risca a giz e nela escreverá pensamentos e fará desenhos simétricos. Adormece.



23.9.10

O Atentado


É ridícula a forma como temos que realizar certos trabalhos. Ainda mais quando você está há pouco tempo na instituição. Certamente se eu tivesse ao menos mais de cinco anos de polícia não teria sido designado para investigar uma tentativa de atentado em um barco no meio do rio Amazonas.

O foco do ataque foi um grupo religioso evangélico. Nenhuma vítima, apenas um casco avariado que causou o naufrágio da embarcação. Nada súbito. O naufrágio durou mais de doze horas. No Norte, até os naufrágios parecem ser mais lentos. Nem sempre são. Este em particular teve a sorte que acompanha os eventos ridículos.

Ítalo, o nome do terrorista (esse era o termo que as quase vítimas o chamavam), não foi sequer investigado, e sim coletado. Ele levava consigo os documentos de identificação. Mas porque tamanho desvario?, perguntei a alguns ex-passageiros. “Desespero, irmão. Desespero causado pelo inimigo.”

Os evangélicos ex-passageiros contaram que Ítalo revoltara-se com o pastor quando este, após ter prometido trazer a mulher de Ítalo de volta e, de quebra, curá-lo de uma rasgadura na virilha que o incomodava desde os vinte e cinco anos, desdizera-se ao afirmar ser tal milagre não mais possível: “Vocês viviam em pecado, irmão, nem unidos perante ao Senhor vocês eram. Agora ela está casada e louvando conosco, em companhia de Jesus. Eu mesmo dei as bênçãos de união entre ela e irmão Cleberson. Converta-se irmão, conheça outra mulher... quem sabe você não se junta a nós e pode até mesmo no próximo retiro estar com a gente louvando e cantando para Deus”. Qualquer cura ou continuidade da rasgadura permaneceram desconhecidos.

Ítalo morreu aos vinte e oito anos. Um sujeito pardo e de cabelos curtos com a base mais curta ainda, cortada a navalha de forma a fazer com que as costeletas parecessem mais finas do que o normal. Algo como uma versão afeminada do tradicional corte de soldado. Mesmo com a explosão, o corpo de Ítalo ficara intacto; apenas um chamusco ou outro e queimaduras leves pelo corpo. Ele não morrera com a explosão — fato presumível pelo insucesso da demanda do “terrorista” — na verdade morrera afogado ao se dar conta do insucesso do atentado e, ao tentar pular no rio, descobrir não ser tão bom nadador assim e terminar afogando-se a menos de dez metros da margem. Os ribeirinhos que testemunharam o incidente me contaram isso. Como qualquer outro popular, os ribeirinhos sempre presenciam e testemunham coisas com os braços cruzados e as mãos sob as axilas.

“Não considero um atentado a mim, considero um atentado a Jesus”. Mesmo com toda impáfia ignorante e má-fé inabalável, o pastor deixava escapar pontas de mãos trêmulas. “Ele esperou eu passar por uma vislissitude (sic) orgânica e precisar ir até o banheiro no porão do barco para sair das sombras e, abraçado a satanás, tentar destruir a mim e toda a obra de Jesus na terra”. Ele usava algum explosivo pesado, como dinamite ou algo como um explosivo plástico? “Não, irmão, graças a Deus não. Ele estava com carotes amarrados no corpo (sic). Um em cada perna, um na barriga e um nas costas. E mais um cordão de catolés em volta”. Ignorante da terminologia regional, perguntei que coisas eram essas. O pastor me explicou serem carotes os recipientes onde se armazena combustível e catolé uma versão mais parruda das bombinhas de festa junina. “Quando ele acendeu o primeiro catolé e correu na minha direção (sic) apenas alguns deles explodiram. Os carotes não explodiram por milagre”. Depois descobri estarem os tais carotes cheios de querosene batizado; o que possibilitaria nada além de uma combustão constante e lenta.

Encerrei o relatório sobre o capô da viatura, tomando cuidado para não manchar o meu moleskine operacional. Não sei porque insisto em levar um moleskine para relatar essas merdas. Da próxima vez trago um caderno do governo.


17.9.10

Laranja


As coisas são definidas pelo movimento invisível que é o tempo. Chega em casa e nas paredes um sol presente apenas sobre a luz das coisas. O quarto e o lençol amarelo o fazem imergir em um sono superficial impetuoso.

Enquanto leva as mãos aos lábios é pressionado pela vigília e sobre os lábios e entre os lábios e nariz o cheiro de uma boca até então desconhecida, a saliva e o doce e os lábios há menos de uma hora sobre os lábios pela primeira vez. O sol se esconde, mas ainda passa por sobre as pálpebras e cria com o sono quase presente um universo laranja. Meu sol dorme em nuvens de fogo, lembra, antes de começar a se perder no sono. Segura a mão de Stella. Mergulha aos poucos.

Sentados no parque há hora e meia, dividiam os gomos de uma fruta cítrica em ponto exato de doçura. Tangerina ou laranja, o sonho confunde. A garota de cabelos amarelos fazendo desaparecer os gomos na boca. Beijam-se. Cai e desperta da vigília. Os parágrafos.

A mãe o chama. Pergunta se quer algo. A mãe também é uma voz interna de sonho. Café, mãe. Desafrouxa o nó da gravata. Inverte os atos adultos. Os casais chegam em casa e fazem o inverso. Afrouxam os nós. Não beijam ninguém. Nenhuma garota de cabelos levemente amarelos. Cinco mechas ou seis. Não comem tangerinas ou quaisquer outras frutas cítricas entre uma realidade e outra.

Você não existe, disse brincando. Esse parque, você e esses cabelos não existem. Eu devo ser um velho delirando num asilo tendo como companhia apenas uma enfermeira cumprido serviços obrigatórios por ter sido pega roubando uma loja de departamentos. Ou devo ser uma cobaia humana apenas cérebro sendo utilizado como elemento de pesquisa para civilizações inteligentes dominantes. Ela morde o seu lábio superior. Então isso não existe também, diz. Ok então você é real. Os argumentos racionais caindo por terra, felizes. O ônibus chega. Volta para casa com sinais invisíveis que comprovam a realidade.

Cochila no ônibus, caminha cinco ou seis passos com os olhos fechados. Um garoto observa ao longo os passos curtos em desalinho logo voltarem à linha reta até o portão de casa. Sempre cumprimenta a mãe e quem estiver em casa com uma reverência anacrônica desajeitada, o que causa alegria ao vê-lo. Abre a mochila. Duas ou três frases sobre o caderno. A escrita: outra comprovação de que a garota existe. As letras inclinadas e como que grafadas por sobre uma régua invisível. O movimento das mãos imprimindo o tempo sobre o caderno. Na contracapa, mais exatamente. Invasiva e explícita, doce.

Deita-se e o sono volta a se espalhar sobre o corpo, a prender os pulsos na cama, a puxar os membros para os pólos norte e sul extremos esticando as costas. Uma dor boa. E o peso confortável sobre as pálpebras como se tivessem duas moedas polidas sobre. O randômico o faz pensar no Egito. Acho que desde lá se comem laranjas e as letras eram vivas eram bichos e homens híbridos misturados a sóis e nuvens. O meu sol, o que adormece em nuvens de fogo, o desenho do parque em um caderno e o beijo cítrico, o rosto mensurado pelo indicador e polegar formando quase um ângulo reto antes do primeiro beijo. Cai. Volta ao lençol. A mãe o chama. Está pronto, ela diz.


12.9.10

Binariamente


Eu, como boa parte de vocês, tenho o estranho hábito de mensurar o envelhecimento através do método mãos-e-olhos: O indicador e o polegar esticam a pele ao redor dos olhos e sentem a tensão ou a queda da resiliência. A cada par de mêses aumenta, minimilimetricamente, o intervalo entre os dedos. Uma pressão leve entre o polegar e o indicador faz com que o tempo retorne e se veja um pouco mais jovem, novamente. Seria um exercício de certa forma melancólico; se a juventude valesse alguma coisa para a inteligência.

Eu e o processo dos volantes. Os volantes e as buzinas que são os gritos dos carros ao redor e ninguém os ouve porque, assim como uns aos outros fora dos carros, ninguém se ouve quando em desespero. O desespero alardeado é ridículo e inútil como uma buzina fraca e fanha em um engarrafamento. Chama a atenção no máximo de dois ou três motoristas. O sinal abre e todo mundo segue resignadamente em seu rumo. As queixas são como buzinas tartamudenantes em um engarrafamento. Incomodam, mas ninguém pode fazer nada a respeito. Apenas ouvem, apenas leem. Losers, chamam uns aos outros.

Eu tenho lido mais do que escrito. Tenho limpado e pintado a minha casa mais do que escrito. Pensado sobre a licença para dirigir e no tráfego mais do que escrito. E amado porque o amor é o que me move. Não a escrita, a leitura, ou tintas sobre paredes.

O amor e a raiva, talvez. O talvez é a respiração de quem lê. Eu sinto amor e raiva. Binariamente emocional a tudo o que se move ao redor. Sinto amor, sinto raiva. É uma dicotomia limitante e até meio burra, vá, mas a coisa é assim pra mim, binária.

E por vezes amor e raiva, ambos, coincidem. E eu gosto de escrever com raiva. Comecei esse endereço por isso. Amor, raiva. Referências musicais, resenhas, são uma respiração. Fotos são um alento visual em preto e branco:


Conversei com um casal de amigos, um dia: Gostaria de saber fotografar porque sou muito visual. Hoje em dia leio muitos mais endereços de fotografias do que de letras. É a única literatura nova e interessante que encontro online. Literatura: símbolos que abrem portas. Observo as fotografias e começo a ver as pessoas reais em movimento como se fossem parte de algo real. Um mundo extenso e colorido, reservado e preto e branco onde pessoas lêem e observam janelas. Vêem carros estacionando enquanto limpam, seminus, o apartamento.


As balizas. Você tem que ficar entre elas em menos de cinco minutos. Caso contrário será reprovado. Manobra mas não encosta. Até encosta, mas pede desculpas. Arrumei minhas prateleiras. Reli partes de meu livro preferido. Mersault recebido com gritos de ódio e mesmo assim, feliz. E também reli partes de Jorge, e de Rubem. O amor e a raiva, novamente.

O tal microcosmos pode ser criado em uma estante. A hierarquia reorganizada mantendo os mestres. A criança grita que o rei está nu. Cria-se uma celeuma. Mas depois de tudo, a criança continua sendo criança e o rei, rei.

Se estou doente culpo os vírus; e não a mim mesmo que não fora vigilante com a minha saúde. Se estou sobrecarregado culpo os chefes; e não a mim, que estudou tanto para encontrar o emprego errado. Se não sei dirigir direito culpo o departamento de trânsito... Culpo, culpo, culpo o mundo pelos meus erros. E na verdade os erros são meus. Quase todos. Porque sou eu quem comanda os braços, sou eu quem sou o culpado pela ordem dos meus cabelos e pelas besteiras que faço, sou eu quem comanda a minha casa.

E todo mundo, falando, buzinando ou em silêncio, sabe disso. Ali, entre o peito e a camisa.