24.7.11

As Prateleiras Superiores

Esta é a lista dos autores que estão nas minhas prateleiras mais altas. O critério de organização fica por conta da imaginação de vocês:

Raduan Nassar
Osman Lins
Hilda Hilst
Lourenço Mutarelli
Cristóvão Tezza
Milton Hatoun
João Ubaldo Ribeiro
Patrícia Melo
José Saramago
Jorge Amado
António Lobo Antunes
Adolfo Bioy Casares
Cormac McCarthy
Charles Bukowski
Roberto Bolaño
Clarice Lispector
Julio Cortázar
Paul Auster
Philip K. Dick
John Fante
Fernando Pessoa
James Joyce
Jorge Luis Borges
Ferreira Gullar
J.M. Coetzee
Jean-Paul Sarte
Hermann Hesse
Albert Camus.


William on the Wall

























Via


Facho


Outro fato que considero estranho é o de, sempre que olho para o céu à noite, haver um facho de luz de longo alcance - algo assim como um bat-sinal sem o morcego dentro - sendo refletido nas camadas mais superficiais do céu.

E para o quê serve isso? Para atrair pessoas que possuem personalidade semelhante às cigarras e tantos outros insetos que se sentem
incontrolavelmente atraídos pela luz?

Imagino essa mini-raça-humana-específica: alguém que sai de casa e, ao ver um facho de luz no céu, entra imediatamente, veste roupas de festa, e sai correndo rua afora, em direção à luz, ao lá chegar, dá as mãos a outros tantos e todos ficam juntos, imóveis, olhando para a origem do facho, até o nascer do dia.



21.7.11

Itch


Existem ordens escusas que me fascinam. A coceira, por exemplo. O que causa uma coceira em certa parte específica das costas?

No centro, em uma parte quase inatingível que nos faz contorcermo-nos até acertar o foco para então passarmos a arranharmos a nós mesmos?

E depois vem o alívio de algo invisível que surgiu do nada, e ao nada voltou.

Uma erupção desconhecida. Uma falha física, como um buraco em uma parte específica de uma rodovia regular e plana.


19.7.11

Martin Afonso


A família de meu pai é composta, basicamente, por casmurros.

Pessoas encalhadas,

de meia-idade,

cheias de rancores

e superstições.

Sozinhas.

Esquisitas.

Não quero me tornar um deles.



14.7.11

Coop #1


Diane, it´s 2:15.

I've just arrived at my room. It's a small place with dark-blue curtains. Cozy, tough. When I mean dark due the curtains, I mean dark indeed.


There are some contemporary disk-lasers from Seattle bands and I wonder: who might had lived in here, Diane? Had this person ever had a love-in-the-same-way heart?

Don't know. I sometimes feel some unusual tiny invisible whirlwinds at the corner of the walls. The kind of sound that causes a momentary frenzy in me even after all these years of duty.

Tiny invisible windy giants... you know, Diane?


I guess he'd might have been happy for a while. Even for some years, who knows? A while is a while.

Anyway, the former owner of the bedroom allegedly was drowned in doubt and silent dispair. Fear.

I need some rest.



12.7.11

Lucas


Enquanto ele assiste o programa do Faustão sem aparentar o menor interesse, eu paro à sua frente e imito a dança de braços erguidos que as pessoas fazem em shows quando ouvem uma música romântica.

Ele cobre o rosto com o lençol e começa a rir de tudo aquilo.



9.7.11

`


Nunca, na história das coisas visíveis aos olhos humanos, houve olhos mais lindos.

Nem alguém tão instigante e feminino.

You´re like me now, J.

And we rule our own islands.


8.7.11

Músicas Esquisitas

Não sou grande entusiasta de música alternativa quando se considera alternativo tudo o que foge ao bom e velho esquema verse-chorus-verse. Às vezes sinto vontade de ouvir algo estranho, contudo. Abaixo, três exemplos:




Chelsea Wolfe - The Grime and the Glow. Me interessei pelas músicas da Chelsea após ouvir "Moses" - a música que faz fundo para o vídeo da Sasha Grey que postei há alguns dias (e que você, se não viu, por favor veja porque é uma obra de arte). Enfim, Chelsea Wolfe faz umas músicas muito soturnas que remeteriam àquela coisa davidlynchiana não fosse o fato da moça já ter colaborado em vários trabalhos do diretor. Tanto que as músicas (?) de The Grime and the Glow nos levam àqueles moquifos de Twin Peaks onde na pós-festa, no porão do bar, Laura Palmer e suas amigas ficavam loucas sob a luz estrobosfópica e faziam coisas.



Austra - Feel it Break. Tirando a guitarra chapada da Chelsea e substituindo por um par de teclados, tem-se a Austra. Faixa após faixa ela brinca com a voz usando todos os malabarismos possíveis. Isso me atraiu. Vocais femininos e teclados me atraem. Não é à toa que considero Ladytron a banda mais perfeita da atualidade. E também me atraiu o video de "Beat and the Pulse", onde umas mulheres bem mais ou menos dançam pagando peitinho. Funcionou. Gostei.


True Widow - As High As the Highest Heavens and from the Center to the Circumference of the Earth. A banda mais palatável das três. Falar o título do álbum três vezes seguidas sem erros pode servir como um bom teste de Inglês. A banda é algo como My Bloody Valentine encontra Kills e empresta os pedais do QOTSA. Vocal feminino e masculino, riffs preguiçosos; aquela coisa lúbrica de ouvir que traz certas vontades pouco ortodoxas. Mesmo climão Twin Peaks. Não foi à toa que aluguei os dvds da série.