29.10.11

A Fonte


Assisti novamente A Fonte. Desta vez para usar em uma aula. É um filme pretensioso - como todos os de Darren Aronofsky - que chega em vias de se perder. Mas não se perde.

Parte pela atuação esforçada de Hugh Jackman e pela presença divina (às vezes literalmente) de Rachel Weisz; parte pela estrutura narrativa que usa a boa e velha unidade tripartida de narrar tempos diferentes que se complementam e têm elementos em comum.

O mais importante deles é a árvore. Em uma das partes mais bonitas do filme, Izzi (interpretada por Rachel) diz que após a sua morte gostaria de ser enterrada em um campo. E que sobre ela fosse plantada uma árvore. Tal vontade surgira após uma conversa com um descendente distante dos maias cujo pai fizera tal pedido. Assim, um pouco dele permaneceria na árvore. E na semente da árvore. E no pássaro que comeria tal semente.

Uma parte ínfima nossa. Atômica ou sub, voando e sendo digerida por um pássaro anônimo.

Após o filme imaginei se os túmulos fossem substituídos por árvores. Ao invés de cemitérios, florestas inteiras com placas com nomes gravados. Não mais túmulos sendo escolhidos; e sim sementes. Árvores depois. Quanto mais o tempo passasse, maior a lembrança ficaria.

Com o passar dos anos, séculos, as árvores tomariam uma área imensa. Invadiriam as cidades, pessoas virariam as sombras das alamedas. Todos respirariam melhor por causa do que já foram.

Todos respirariam, de certa forma, o que não mais se foram completamente.