25.1.13

Ana Moura - 'Até ao Verão'



Todos os lugares possuem as suas músicas tristes e belas. 

Portugal, porém, possui a mais bela e triste entre todas, o fado. 

E o fado possui Ana Moura.


14.1.13

Vampiros de Verdade, ou Quase



É difícil encontrar um bom filme sobre vampiros. Mais ainda, um filme com tentativa de ser tão verossimilhante quanto possível, balanceando os fatores sobrenaturais e a realidade prática. Até então, eu assistira apenas dois que haviam balanceado harmoniosamente tais fatores: The Hunger (1983) e Let Me In (2010, no remake norte-americano).

Bajkwi (2009, também traduzido como Thirst e  Sede de Sangue) também pode ser incluído nessa lista de filmes.  

O filme foi dirigido por Park Chan-Wook (o mesmo diretor de Old Boy) e possui, além da originalidade do roteiro, as características peculiares do diretor: o estranho senso de humor e cenas bizarras que permanecem na memória.

O filme é um tanto quanto longo, mas super vale a pena, principalmente se você gosta de vampiros e de bom cinema.


Miss Holloway and Miss Olson



9.1.13

Janeiro Jones


Janeiro tem sido o mês com maior frequência de posts por aqui. Bem assim mesmo. Estou em casa, de férias. Não importa se na minha casa, ou na casa da minha mulher, estou em casa. Estou de férias. E escrevo. 

Escrevo e tento, mais uma vez, seguir a resolução de escrever e postar aqui como nunca dantes postara. 

O barco, contudo, não vai longe ao longo do ano pelo fato de tudo o que acontece ao longo da semana, do dia, não dar tempo para mim, Tarzan, sentar e escrever de forma correta.

Antes era mais complicado postar. Digo, bem antes. Bem no começo. Quando a internete compartilhava a linha telefônica como se fosse um amante legal e moderno, adolescente.

Agora existe todo esse "admirável mundo novo", como dizem os repórteres de pautas ridículas, ou seja, todos; com tablets e redes wi-fi levando a internete até o banheiro. 

A internete está para a dificuldade como o diploma está para o jornalismo.

Posso postar do video-game, do telefone, do notebook, do iPad, do computador do trabalho... mas postar o quê? Qual a urgência?

O Blogger tornou-se uma espécie de comunicação em código morse. Uma conversa em latim em uma praça do Vaticano interditada pela prefeitura. 

O Blogger tornou-se algo como uma resistência verbal mal formatada antiquada frente aos poucos caracteres do Twitter, os peitinhos do Tumblr, os memes do Facebook. 

O Blogger é o Fotolog de quem escreve.

Não considero totalmente absurdo ele ser googleplusado ou simplesmente desaparecer. 

Manterei a minha conta até o fim mesmo assim, companheiros.

Se isso acontecer, preciso de uma impressora com cartuchos cheios e coloridos para mostrar aos meus filhos e aos meus netos como era a coisa toda antes. Quando as pessoas escreviam diários online.

Depois iremos fazer algo legal.

De certa forma, o Blogger nunca antes foi tão diário online quanto tem sido hoje em dia. Um diário. Só o dono lê e, quem lê, o faz de certa forma escondido e, claro, não o diz. É meio constrangedor ler coisas dos outros.

Beijo pra você, Elisandra.


8.1.13

Epígrafe de Simulacros e Simulação


"Livrem-se das velhas categorias do negativo (a lei, o limite, as castrações, a falta, a lacuna) que por tanto tempo o pensamento ocidental considerou sagradas, como forma de poder e modo de acesso à realidade. Prefiram o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas."


Michel Foucault


5.1.13

Ruídos


Ontem fomos a uma festa em uma boate. Musique Nuit, o nome do lugar. Brand New Order, o nome da festa. Segundo a proposta, além da banda inspiradora do título, New Order, outras bandas com sonoridades semelhante também apareceriam na lista de músicas.

O evento foi divulgado no Facebook. Mais de duzentos confirmaram presença. Na festa de verdade devem ter comparecido pouco mais de um quarto do número, contando com o staff da casa. A coisa simplesmente não rolou.

Os caras encarregados das músicas mostraram bom gosto musical. As músicas no entanto não comoveram as pessoas pelo simples fato destas não estarem a fim de diversão. Estavam a fim dos bancos; de ficarem sentadas nos cantos, com cara de passageiro esperando no aeroporto. Aquela cara de cu, no mau sentido.

Não entendo como alguém se arruma, gasta dinheiro para entrar em uma festa e, quando lá, não mexe nada além dos dedos no telefone. Esse comportamento bobo e mal educado de ficar mexendo no celular em qualquer hora e lugar alcançou proporções inimagináveis.

Vez ou outra alguém ou um pequeno grupo arriscava uns passos de dança. Nessas horas os tocadores de música davam a sua colaboração com a falência da festa mudando totalmente o repertório, ou absurdamente deixando a sequência das músicas ser interrompida durante segundos constrangedores de silêncio.

Mesmo assim tentamos nos divertir. Na verdade divertimo-nos, apesar de tudo. Pensando bem, minha mulher e eu fomos as pessoas que mais se divertiram no lugar. E olha que eu não sei dançar direito.

4.1.13

X__X • 死 者 の 顔 •


Ant Baena




A real



Muito me surpreende esse glamour relacionado aos vampiros como se tais serem ao menos existissem. Eles não existem, asseguro. Conheci um deles. 

Uma delas, na verdade. Sessenta e quatro anos. Morrera aos vinte e um ou, como ela própria gostava de dizer, passara à imortalidade. Uma grande mentira.

A aparência embalsamada, o palor cadavérico nada tinham de atraente. O hálito de sangue coagulado muito menos. Sem quaisquer forças sobrenaturais. Apenas alguém em um estado suspenso.

Perguntei qual a graça. De quê? Ela re-indagou. De permanecer vivo quando você já deveria ter sido comida pela terra. Eu gosto das luzes, ela disse. 

Os olhos não refletiam luz alguma. Dei um abraço e senti ossos e pele rígida. Quando fui ao banheiro, um inseto correu pela lapela do meu terno. Não voltei mais.


Joan

via

Waiting List


And the Death sings:


"Lá vem o Chávez, Chávez, Chávez."



2.1.13

Manufaturices


Mais um? Hoje à tarde choveu e não parou mais. Vesti uma bermuda para ir comprar pão no meio da tarde e, tão logo pus os pés na varanda de casa, começou a chuva. 


Parou há pouco. Agora é noite. Hoje tem sido um daqueles dias fantásticos onde nada especificamente é feito.


Ao mesmo tempo, bastante coisa é feita. Leituras. Perda de tempo online permeada por coisas úteis tais como a descoberta de cifras e novos álbuns. Não comentarei sobre outras pesquisas porque este blog (ainda) não é um blog (totalmente) pornográfico.


Às vezes viajo na manufatura das coisas. Nos processos. Hoje à tarde, por exemplo, quando tentei sair à rua para comprar pão e não consegui. 


Viajo pensando que alguém teceu a minha bermuda, alguém colheu o trigo (lembrei daquela música O Cio da Terra), alguém o amassou até virar pão. O forno queimando o gás que foi trazido por outrem. A moça do caixa usando uma pulseira colorida feita por mãos anônimas inimagináveis. O plástico vindo do petróleo lá do fundo do mar (essa frase fica mais legal se lida em voz alta e com sotaque caipira).


Voltei para o quarto e vesti novamente meu pijama. O short vindo de Fortaleza. A camisa, de São Paulo.


1.1.13

Primeiro de Janeiro de 2013


Um post por dia. Será?

Escrevi pouco e li muito. Até hoje - trinta e três anos - não sei qual a proporção correta. Dane-se. 


Existe uma sala. Três metros por três metros por três metros. A sala, assim, é um cubo oco de paredes vermelhas e chão branco e polido.

Tudo, absolutamente tudo, é possível dentro desse espaço.


O horizonte

O horizonte — visto da minha janela — não é um horizonte clássico realmente — e sim um céu bordeado por árvores insistentes em existir — ...