28.4.13

The Man with the Miniature Orchestra, by David Algonquin


“There were phrases of Beethoven´s 9th symphony that still made Coe cry. He always thought it had to do with the circumstances of the composition itself. He imagined Beethoven, deaf and soul-sick, his heart broken, scribbling furiously while Death stood in the doorway. Still, Coe thought, it might have been living in the country that was making him cry; it was killing him with its silence and loneliness, making everything ordinary too beautiful to bear.”


(MAD MEN, Season 05, Episode 05)

5 Minutes of FFFFOUND!









19.4.13

Geografia


Deitado, observando o céu como tantos outros, tive certeza de que o sentimento de covardia perante a morte é o mesmo durante todos os momentos da existência. 

É curioso o fato de sermos animais tão evoluídos, tão conscientes até certo ponto. A gravidade. O cachorro lambendo a mão. Ter medo da morte é a maior prova de que, mesmo se acreditamos, não confiamos em Deus.

Quer-se morrer quando se é extremamente infeliz. Teme-se morrer quando se é extremamente feliz. Ou quer-se morrer quando se é extremamente feliz para a felicidade ser a última sensação em vida; o que constitui um egoísmo filha da puta, maior do que qualquer egoísmo catalogado na história humana, seja a dos anões ou dos gigantes. 

Independente do extremo, do acidente, o fato comum é o frio na caixa torácica. Um frio imaginado. Pode ser meio-dia e lá está o frio. Interno e mudo. Eu tenho medo e me sento e choro. Eu estou muito feliz e me sento e choro. Eu não sinto e me sento e choro. 

Acho que a gente se leva muito a sério, sabe? Muito assim superimportante a ponto de catedralizar qualquer problema ao ponto de crise existencial extrema que pode por em cheque todo o curso das artes e das ciências. Você pode fazer um curso a algumas milhas de casa. Você pode ganhar um papel timbrado com um título e, mesmo assim, continuar sendo um pobre-diabo que não recebe sexo oral e que se senta e escreve umas merdas divertidas de serem lidas.

Ninguém liga, cara. E, se ao menos tenta ligar, não sente. Até sente e sofre, mas não é o teu sofrimento; e sim um arremedo disso. 

Pudera o sofrimento ser transferível: Vou sofrer por ti! (então porias a mão no peito e ficarias aliviado de qualquer sofrimento). Isso não acontece. Ainda bem. Fazer sofrer fisicamente os que gostamos só aumentaria o sofrimento próprio. Não adianta escrever, declamar. Nada muda. 

Um amigo meu, argentino, me assegurou ter lido na quinta série, em um livro didático de geografia, distribuído pelo Governo, o fato de que apenas vinte e três ciclos da Terra ao redor do Sol podem mudar de fora efetiva os rumos das vidas dos seres humanos. 

Nenhuma força além da Terra silenciosa com a sua atmosfera poluída por satélites em contado com a epiderme solar em constante erupção pode fazer você acordar efetivamente melhor. O sol silencioso, vazando um facho curto de luz pelo quarto e tocando o teu rosto. A água dentro da pele do teu rosto reagindo ao sol e te fazendo acordar melhor e mais bonito.

Mini fragmentos de uma estrela vibrando no chão do quarto possuem mais mágica do que qualquer conselho bem dado.