21.6.13

Raps infames


Quando ouço essas músicas lembro do Michael Bolton, o geek branquelo do filme Office Space que gosta de ouvir gangsta RAP. Mas fazer o quê se apesar de tudo eu acho legal? 

Abaixo listo duas músicas que deveria ouvir menos, mas não consigo.


Nome: Kendrick Lamar
Música: Backseat Freestyle
Pérola de sabedoria:"I pray my dick get big as the Eiffel Tower
So I can fuck the world for seventy two hours"


Nome: Kanye West
Música: Black Skinhead
Pérola de sabedoria:"Stop all that goon shit, early morning cartoon shit. This is the goon shit, fuck up your whole afternoon shit"


Nome: Die Antwoord
Música: Cookie Thumper
Pérola de sabedoria:"He love yo-landi coz I'm blonde all over 
Maar yoh! daai anies hy hou van my boude!"



14.6.13

Revoltas


Sinto-me alienado a respeito de tudo o que vem acontecendo durante as últimas horas. Os mecanismos responsáveis pelo aumento das taxas, pela reclassificação dos preços, pelo aumento dos impostos.

A mesma Avenida Paulista, pacífica, grandiosa e consumista, sendo tomada por protestos sobre os quais eu, alienado, desconheço a mecânica dos fatos. 

Eu moro em Manaus, uma cidade onde o sol é muito forte; onde apenas os burros ou muito inteligentes ganham grana de verdade; onde os inteligentes se queixam, onde os inaptos fogem e tentam pertencer a outras cidades sem nunca esquecerem do sol e do povo que vem em sonhos. 

Sinto-me ainda mais alienado pelo fato de não me revoltar quanto a isso. Apenas reclamo. Poderia explodir a cidade. 

Como diria o Coringa, não se precisa de muito. Apenas fósforos e querosene. Mas não. Não faço nada além do civilizado.

Apenas sou roubado em tempo integral. Tenho cada centavo ganho com o meu trabalho repartido à revelia e nem me dou conta disso. Pior: tenho apenas noção disso mas, o meu salário, apesar de todo o saque, ainda é suficiente. Volto pra casa e fico de boa.

O que mais me incomoda, porém, não é tanto roubarem o meu dinheiro em tempo integral; e sim não saber quem são os verdadeiros culpados. Não saber quem eu deveria matar para começar a podar o mal, a esperteza. 

Soaria desumano, mesmo anticristão, querer resolver o problema matando os causadores de tal. 

O problema é ter sido o próprio Cristo - seja ele o Deus ou o histórico - morto por gente da mesma laia que ainda hoje manda e dita e distorce e explora. Gente má. Gente que merece ser extirpada, morta. 

Ele foi morto. Ninguém fez nada. Nem Ele, nem o Povo, nem o Pai. Isso me causa uma desesperança danada na resolução de todos os grandes problemas. 

Me apresente a igreja do Deus da Revolta. Um Deus que mate os injustos, os usurpadores e os exploradores com um julgamento tão lógico e claro quanto a Lei da Gravidade. Um Deus que mate os maus, que os impeça.

"Meu Deus", eu diria.


8.6.13

A Caixa

As suas articulações facilitavam muito a atividade prazerosa de encerrá-la na caixa ao lado esquerdo da cama. 

Minha mão esquerda massageava a sua nuca. A sua respiração, descompassada e profunda, deixava clara a sua excitação imensa de estar na caixa. A caixa era do tamanho exato de seu corpo dobrado.

Passadas as minhas horas de sono, eu a retirava com cuidado da caixa. A ajudava a ficar de pé e pedia que olhasse para mim. Seu olhar deixava à mostra a satisfação irrefutável de ter estado na caixa, tendo sido acariciada por tanto tempo, até que eu adormecesse e a retirasse no dia seguinte. 

Eu indicava a cama e, com carinho, cuidado e excitação crescente, passava três diferentes bálsamos nas partes do corpo sobre as quais a superfície áspera da caixa tivera mais atrito.

O próximo passo era carregá-la e levá-la até a banheira. A deixava a cargo de si. A escolha da maquiagem e do vestido, as sandálias. Depois íamos até a igreja. 

Olha, perceba como todos te acham bonita, eu dizia, como que fazendo um comentário sobre o Evangelho à frente. Ela sorria, e curvava a cabeça lateralmente, até encostar-se ao meu ombro um pouco acima.

Terminada a missa, íamos ao parque de diversões. Observávamos a mulher-gorila e as pessoas correndo por medo irracional. O pequeno cubículo escuro com espelhos sujos e áudio extravasado. Achávamos tudo muito divertido.