30.7.13

Antes do almoço


Faz um barulho absurdo lá embaixo. Uma pequeno protesto passou há pouco. As buzinas dos carros presos no engarrafamento encobriram as reinvidicações. Homens martelam, britam. Vendedores ambulantes correm atrás dos carros parados no sinal. Os carros se movem, livres pelos próximos cem metros até pararem no próximo sinal e declinarem outras propostas absurdas (abacaxis, flanelas) de outros vendedores. 

Quando volto do trabalho os vendedores desapareceram. Voltaram para as suas casas com os abacaxis e as flanelas remanescentes. A falta de estratégia e perspectiva: ninguém pode comprar uma flanela nova ou mesmo comer abacaxis todos os dias. Isso gera pouco dinheiro. Os vendedores possivelmente não se dão conta disso. 

Não posso evitar a sensação de me achar um pouco sortudo por não ter que trabalhar de manhã cedo. O pouco conhecimento que acumulei ao longo do tempo fez com que eu desse aulas. A experiência fez com que eu não fosse demitido, pelo contrário, fosse promovido. Minhas horas de trabalho vão da tarde até a noite. Isso me satisfaz. Acho a tarde o momento mais chato e moroso do dia para se estar em casa. A manhã e a noite, não.

Daqui a dois dias voltam as aulas. O que é bom. Gosto disso. Os novos grupos. Os adultos, adolescentes e crianças. A língua inglesa se fazendo presente novamente, dividindo o cérebro. Os workshops e encontros de trabalhos. A viagem ao Recife. A nova casa. A carteira de motorista. O romance. 

É quase meio-dia e agora apenas um homem martela na rua. 



27.7.13

Lover´s Cave

Que belo videoclipe. Richard Kern entende de mulher de verdade.

https://vimeo.com/70452943


...e quem são essas moças? Elas têm cara de má!



(menos a da direita)



25.7.13

Núpcias


A felicidade é um sentimento raro. O alto da montanha, onde Sísifo aprecia o mar, o sol, o horizonte claro, e vê o fruto de tanto esforço ser recompensado, mesmo durando apenas um curto intervalo de tempo.

Eu lembro das minhas leituras. Dos catorze anos em diante. Os livros existencialistas. Nunca os considerei substancialmente pessimistas. Realistas, apenas. Toda aquela filosofia me fez olhar ao redor de forma crítica, me fez ter esperança de sair do ordinário, gostar mais ainda das mulheres e dos amigos (nunca das mulheres dos amigos), aproveitar a brevidade da saúde e do fértil, a brevidade da vida.

As dificuldades e os entreveros ao longo dos anos fazem os momentos de felicidade serem ainda mais valiosos e intensos. Aquela felicidade silenciosa acompanhando os nossos passos junto às pessoas comuns. O sol de Fortaleza, a varanda do apartamento. No início dá certo medo, logo transposto pelo cuidado.

Entramos e saímos de galerias. Em pleno meio-dia surgiu-me a idéia clara de um romance. Dias antes, na festa de casamento, vi-me, vi-nos, vi a todos em um autêntico filme musical, um autêntico final de novela onde todos dançavam, abraçavam-se e eram felizes de verdade. Tal felicidade se prolongou à festa, avançou os dias, conciliou e reuniu casais. 

Naquela manhã e tarde de domingo, dia 14 de julho, algo muito bom foi feito. E não apenas ficamos. Permanecemos felizes. 

Observando o mundo abaixo, o mar, o horizonte, e antes disso. Sentimos as núpcias gelando e esquentando o corpo, tornando válido todo os aspectos da existência. O positivo dos livros, enfim, correndo pelo sangue.

A pedra não rolou mais montanha abaixo. A montanha, quando transposta, desaparece sob os pés, vira chão, apenas. Nos demos conta disso quando vimos um platô a mantendo a pedra estável. E, no final do terreno, oposto ao horizonte, o início de uma outra montanha, nova e desconhecida.

Encararemos essa nova sem medo. E de mãos dadas, delicadamente, iniciaremos mais uma subida. 


12.7.13

Dr. Preston Burke wedding vows


Dr. Preston Burke: 

[his wedding vows as he tells them to Addison, Izzie and the other women in the OR


Cristina, I could promise to hold you and to cherish you. I could promise to be in sickness and in health. I could say, til death do us part. But I won't. Those vows are for optimistic couples, the ones full of hope. And I do not stand here, on my wedding day, optimistic or full of hope. I am not optimistic, I am not hopeful, I am sure. I am steady. And I know that I am a heart man. I take them apart and I put them back together and I hold them in my hands. I am a heart man. So this I am sure, you are my partner, my lover, my very best friend, my heart, my heart beats for you. And on this day, the day of our wedding, I promise you this: I promise you to lay my heart in the palm of your hands, I promise you me.



"Grey's Anatomy: Didn't We Almost Have It All? (#3.25)" (2007)

O horizonte

O horizonte — visto da minha janela — não é um horizonte clássico realmente — e sim um céu bordeado por árvores insistentes em existir — ...