30.5.14

VIII. Júlia. O sofá azul.


Os cochilos são uma interrupção infantil da existência. Não nos anulam ao mundo como quando se está sob um sono profundo e um assassino, saído das sombras, pode vir e nos cortar o pescoço sem jamais nos darmos conta disso. 

Dormir e não acordar pode ser algo ideal ou muito triste. Não há chance. Exatamente como quando se nasce.

Júlia está deitada sobre o sofá azul do apartamento de Ângela. Sente o corpo leve, mas o mesmo tempo uma força estranha pressiona o seu crânio contra o encosto e a deixa sobre si; toda ela uma mulher com a mesma idade, sem. 

Semi-acordada,  semi-desperta, Júlia volta à adolescência e, ao mesmo tempo, não está na adolescência e sabe disso porque ouve os passos de Ângela no presente. 

Júlia estudava no turno da tarde. As aulas terminavam às cinco e quinze. Não precisava do transporte coletivo. Caminhava. Antes das seis estava, de segunda a sexta, novamente em sua cama. 

Os dias sempre terminavam silenciosamente, com a luz do sol tornando-se mais e mais fraca até ceder, e tudo ao redor se tornar uma ausência, um período intermediário durante o qual o dia e a noite eram os mesmos. O final do dia, para ela, era, então, uma espécie de cochilo da Terra e durante o qual ela poderia fazer o que quisesse. Não haveria luz ou treva para julgá-la. Júlia lembrava do filme O feitiço de Áquila. Todos, àquela época, lembravam de quão trágico e triste eram a águia e o lobo. 



Neste ponto da história, sobre o sofá azul, Júlia está com trinta e dois anos. É final de dia e início de noite como sempre houve. Nem jovem e nem velha. Sem a inexperiência dos dezesseis e ainda com muita experiência a absorver após os trinta e dois. 

Júlia é uma persiana no final da tarde, branca e plana, esperando alguém que a gire e a mude, dê outra forma a ela.

Durante o seu cochilo, revê-se aos dezesseis ao mesmo tempo sabendo ter trinta e dois. Um dia, assim como tantos outros, estará com sessenta e quatro anos e não mais possuirá outra oportunidade ver a si mesma com a idade dobrada.  

Aos dezesseis anos costumava chegar em casa e dormir imediatamente, como faz a maioria das adolescentes por cansaço, preguiça ou, na maioria dos casos, por não quererem existir: quererem simplesmente dormir e acordar em outra época. Maiores, sem problemas. Todos os seres humanos, sem exceção, querem ser felizes. Ser feliz é uma necessidade fisiológica. 

Durante o caminho de volta da escola, curto, cerca de quinze minutos caminhando despreocupadamente, vez ou outra ouvia sons animalescos , assobios, suspiros ou frases curtas de homens de todos os tamanhos e origens. Para Júlia, os homens surgiam do chão, desordenadamente. A maioria feia, suja gorda velha burra careca ou tudo isso junto. Os homens bonitos não existiam, não a encontravam na rua. Os homens bonitos não eram grossos porque não precisavam.

Mesmo assim, sentia um misto de asco e lisonjeio pelos ruídos e frases imbecis. O alívio de, se não possuidora de uma beleza conspícua, digna de ser filmada ou impressa, ao menos possuir algo que atraía, que chamava a atenção dos homens. Talvez a brancura e um pouco da magreza; muito provavelmente os peitos e uma leve desproporção dos quadris. 

Agora, com trinta e dois anos, sente imensa pena dos homens que se insinuam a uma adolescente. Uma adolescente não é uma mulher. Possui feminilidade, libido seguida de pensamentos, possui um corpo pronto para reproduzir-se. Não é, porém e ainda, uma mulher. Uma adolescente deve decidir quando se tornar mulher; e não o contrário. 

Um dos comentários, porém, mudou o seu hábito preguiçoso. 
Em um dia entre tantos durante os quais voltava da escola um sujeito, encostado em um balcão, não a cantou ou expeliu qualquer som com conotação sexual. Apenas disse: 

“Quem não aguenta dorme.” 

Júlia, pela primeira vez, virou-se, encarou o sujeito e perguntou: 

“Como assim? O que o senhor que dizer com isso?”

O homem não se constrangeu ou se empolgou com o efeito da frase. Apenas a explicou como se ambos estivessem conversando naturalmente:

“O que quero dizer é que quem não aguenta a barra de viver dia após dia após dia sempre fica arrumando um pretexto para dormir. E dormir não é algo natural, uma coisa da qual se gabar. Dormir é uma necessidade, sabe? Dizer que se gosta de dormir é da mesma ordem do que dizer que se gosta de ir ao banheiro várias vezes ao dia. É uma necessidade fisiológica da qual não devemos nos orgulhar. Um monte de coisa se perde e um monte de coisa ruim pode acontecer durante o sono. Dormir para fugir dos problemas é da mesma ordem do que se trancar em um banheiro para escapar dos problemas."

O homem usava um chapéu panamá. Estava entre a metade dos quarenta e o início dos cinquenta. Após a curta explanação, virou para dentro do bar, como se nunca tivesse falado coisa alguma.

A partir desta tarde, Júlia abandonou o sono fugidio das adolescentes e passou a fazer outras coisas. Adiantar uma ou outra coisa da escola, ler um livro, masturbar-se quando tinha privacidade e vontade suficientes mas, sempre, invariavelmente, deitava-se e observava o envelhecimento do seu corpo enquanto o dia terminava. 

Seu cabelo ainda era longo, ainda mais negro pela memória. Esticava uma mecha presa entre o polegar e o indicador e se sentia como uma planta, branca, permeada por pelos. Seus braços se erguiam. Suas pernas adormeciam quando ficavam muito tempo suspensas. Para onde ia o sangue? "O meu corpo, eu, vai continuar, sempre, envelhecendo, mas até quando?"

“Bora Júlia?” 

Júlia, novamente com trinta e dois anos, responde: “Só me dá cinco minutos para retocar a maquiagem.” 

Estala os dedos e sai do sofá.

27.5.14

VII. Júlia e Ângela. Véspera de feriado.


O céu descarrega água sem seguir lógica alguma. O fato de ser um céu já é um absurdo. Uma tela raivosa e cinza querendo sair dos limites do quadro. Fazendo barulhos. Sendo vários e o mesmo dependendo de onde se está. 

Júlia comenta sobre o céu, Ângela apenas ouve e tenta visualizar o que a garota, branca e com sombra negra ao redor dos olhos, amiga tergiversa. Júlia fala sobre a fúria com a qual a Terra se move e como ninguém se dá conta disso. Há esse cinza chuvoso e sobre ele há o azul novamente e sobre o azul há o vazio. Os barulhos da Terra não chegam ao espaço. Um alienígena ou um astronauta presenciam o absurdo de um globo pesando toneladas, suspenso no vácuo, girando em silêncio uma vez e de novo e de novo. “E nós estamos aqui, presas. Isso é um absurdo.”

Muito se fala em civilização e isso e aquilo, sobre conquistas de direitos e paridades teóricas, mas o fato é que, até hoje, duas mulheres não podem sair sozinhas sem estarem sujeitas a uma série de chateações. Por isso Júlia prefere passar tanto tempo em sua piscina particular, imaginando mundos azuis e úmidos. 

Ângela não possui uma piscina na sala de casa. Apenas um sofá azul de dois lugares e uma televisão sem tamanho suficiente para não ser considerada um monitor de computador. Não há quadros sobre as suas paredes ou livros nas prateleiras (na verdade não há prateleiras), o que torna pré-julgamentos sobre a sua personalidade mais difíceis de serem feitos. Tudo o que se pode saber sobre Ângela seria mais ou menos como o que aparece na televisão: tudo muito rápido e diverso, mas difícil de ser acompanhado. 

Fossem as duas vítimas de uma história comum, criada de modo a entreter o leitor e excitar um possível escritor heterossexual no que concerne a pessoas do mesmo sexo (não às mulheres), seria fácil criar um clima de romance entre Ângela e Júlia. Elas se embebedariam e o lugar-comum largamente explorado em filmes livros séries e quadrinhos aconteceria. Mas isso não acontecerá aqui: Júlia e Ângela são apenas duas mulheres sem muito que fazer, e o fato de estarem fumando e bebendo juntas não as faz se sentirem atraídas uma pela outra. Ao invés de uma música cremosa de fundo, existe apenas o som da televisão enquanto elas tentam traçar estratégias para sair de casa sem serem admoestadas, perseguidas ou agredidas. É quase meio-dia e a cidade ainda está tranquila. Famílias estão saindo para o almoço e os boêmios da noite anterior ainda estão acordando e procurando analgésicos. Conforme as horas passam o dia tende a ficar mais agressivo. As famílias voltam para casa e apenas os beberrões de finais de semana se acumulam nos bares ou nas praças de alimentação. É nessa hora que surgem as chateações. Nunca na história da humanidade uma mulher bêbada e linda foi perturbar e tentar seduzir dois homens comuns bebendo e conversando tranquilamente em um bar, perguntando se ambos gostariam de ir para um quarto com ela. Isso seria ridículo. Homens bêbados, porém, costumam pensar o contrário; e as mulheres tentam de tudo para demovê-los da ideia, inclusive declararem-se lésbicas só para serem deixadas em paz o que, particularmente, não surte muito efeito, visto a pensamento comum exposto no início deste parágrafo. 

“Você tem amigos?”, Júlia pergunta. 

“Bom, eu conheço algumas pessoas, mas não sei se são meus amigos ou não.”

“Quantos, mais ou menos?” 

“Uns três ou quatro. Mas eles quase nunca topam sair ou fazer algo fora de casa. Sempre estão com namorados, família ou pessoas mais interessantes que eu.”

Talvez esse fora o primeiro ponto realmente em comum entre Júlia e Ângela. A falta de amigos. Obviamente, ambas conviviam com pessoas boas e empáticas, mas nada além disso. Ao observar as pessoas que se consideravam amigas, Júlia percebera que elas não eram nada além de conhecidos compartilhando coisas comuns e gostando disso. Não havia grandes significados metafísicos permeando as amizades. As pessoas não se tornavam amigas na tentativa de criar uma espécie de maçonaria dos laços, uma liga de super-heróis. Elas simplesmente se conheciam e decidiam fazer coisas juntas. Questões existenciais e problemas práticos do dia-a-dia não são resolvidos ou mesmo discutidos. Elas simplesmente conversam, comem, bebem e voltam para casa. Contam piadas e problemas e, quando um pouco mais bêbadas, dizem o quanto gostam umas das outras; o que, na maioria dos casos, é algo sincero, mas fadado perder o interesse com o passar do tempo, como um filme que se viu várias vezes.

“Você acha que as pessoas se tornam amigas ao acaso ou existe algo invisível por trás disso?”, Ângela pergunta.

“Como assim, invisível?”

“Sei lá, algo envolvendo destino ou coisa do tipo.”

“Se as amizades verdadeiras são consequência do destino; ou ele tem falhado bastante, ou simplesmente não existe.”

“Acho que você tem razão”, Ângela olha para a amiga em formação enquanto pensa nas palavras, no quanto é complicado sair de casa e fazer algo e no quanto o céu não obedece à lógica alguma: agora faz sol. 

18.5.14

O início ou o fim?




HELLBLAZER #215 (Panini Comics)

Se não houvesse números, não saberia se essa é a última ou a primeira página da história.

13.5.14

Textos Antigos


Carpa

Pediu que eu a acompanhasse. Ela e a sua tatuagem de carpas (uma vermelha, outra verde) entrecruzadas e entrecortadas no interior do braço.

Sua casa não remetia em nada ao meu minúsculo apartamento seco — sua remetia ao corpo. Nosso corpo onde, sob a limpeza e o perfume da epiderme vivem as bactérias, os micróbios e tantos outros parasitas pacíficos cujo único sonho é permanecer.

Os ignoramos porque precisamos viver, acostumamo-nos ao asco. Assim como faz parte da casa acostumar-se com os insetos nas frestas e  faz parte do portão acostumar-se com a fragilidade e a ferrugem.

Assim como faz parte ignorar as falhas da passarela curta até a porta de entrada — A passarela falha e cheia de pequenas cicatrizes como as que se acumulam no rosto ao longo do tempo e que nem por isso não o deixam ser belo.

Assim como faz parte ignorar a desordem do quarto porque sobre a cama está um corpo branco de fêmea de braços abertos ostentando carpas (uma vermelha, outra verde) que parecem vivas de tão perfeitas e sob ela, sobre ela, existe agora um conluio de subvidas, confusas e subordinadas a essa nova desordem.

O novo dia já inicia alto de luz do sol e barulhos. Peço a ela que me acompanhe ao meu apartamento pequeno e fechado, polido pela diarista. Ignoramos o abismo escondido sob o elevador e aos solavancos chegamos ao décimo-quinto andar onde vivo sozinho. Mais desordem. Lugares expostos.

O adormecer dos homens é grotesco, boca entreaberta, roncos; o das mulheres é absolutamente diferente. No meio da noite ela abre os olhos de fogo verde latente e me diz frases sem sentido — “meu nome é Água e eu tive tantos outros amantes... e mesmo eu quero um cordão de pedras coloridas, uma aliança.”

Eu digo dorme para em seguida pousar sobre ela o lençol como se fosse uma rede que a aprisionará para sempre, assim como as agulhas aprisionaram as duas carpas, a vermelha e a verde, no interior do seu braço. Me adormeço em seguida.



Película

Então existem dois corpos: Aquele que passa pela porta. Aquele outro que tu possuis em silêncio.

Aquele que tu possuis em silêncio não é o que acabou de sair pela porta: É um corpo imaginado, uma película luminosa sobre o corpo físico com vontade e idéias próprias – o corpo que tu possuis entre barulhos.

O real físico sai depois de uma despedida breve. Tu observas a bunda e se sente feliz por dentro.

A película deste mesmo corpo, a imaginada em função do real, permanece dentro da casa. E depois dentro do peito. Ela só existe fora de ti quando o corpo que a originou está presente. Essa película também é quase física quando tu a simulas em silêncio ou observando ladrilhos.

A película dobrada, luminosa, divide lugar entre os teus pensamentos. Desconhece as tuas salas escusas, vive em um ambiente onde existe o melhor que esse teu cérebro diminuto pensou e criou até hoje; Habita o externo como se existisse e, por um longo momento, tu esqueces o corpo que existe, o que tem pensamentos próprios e transpira à tua revelia.

Então o corpo de destino desconhecido retorna. Bate à porta. Quando tu abres e o observa, a película ocupa o seu lugar novamente, desdobra-se entre o corpo e o teu peito, enriquecido com os teus pensamentos, dando mais sentido ainda ao corpo que agora ao pleno que está dentro de casa.


A ida

A ida começa com uma longa estadia frente ao passadiço e ora uma têmpora ora outra observando o largo da rua e em cada mão, em cada um dos dedos, uma cor diferente descascando

Aperta com força a alça da bolsa. Relembra os fatos recentes. O céu acima. Azul entrecortado por vazios brancos

Suas pálpebras inconstantes como asas. Diferentes tons de cinza sobre os olhos.  O cenário organizado em rua entre o abrir e fechar dos olhos causando milissegundos de treva. Abre a bolsa :

<
e dentro dela há uma caixa
<
e dentro da caixa um pássaro
>
e dentro do pássaro um coração assustado
>
e dentro do coração, sangue
.

Veias diminutas trincam o canto dos olhos. Cercam a ponta das pálpebras. Ela observa o pássaro. Ergue a caixa marrom com superporos para permitir que pássaro respire.

Serge, seu nome será Serge, ela diz e pensa nunca te dei um nome, Serge, porque sempre pensei em você como algo que se move; e não como algo estranho e diminuto com vontade de ir para cima e depois brincar com a vida para baixo: o peito contra o vento, os olhinhos fechados, gosto de inseto no bico

.

"Não tem problema", diz o coração cego e veloz de Serge através de impulsos, movendo as pequenas estruturas das asas ao longo da rua desfocada abaixo. Uma misto de telhas varais e automóveis semelhantes a insetos cuja estruturas por vezes e o enganam e o trazem e volta. Mas não desta  vez.

Em meio ao voo, o pássaro vê o rosto que o libertou da caixa e não consegue. Desce. Pousa sôfrego em um dos dedos. Seus movimentos dizem "cheguei de um vôo curto de dez metros de altura e estou muito feliz por isso".

.

O pássaro finalmente produz sons. Nunca os fizera antes, na gaiola ou na caixa, mas agora está tão feliz e confiante a ponto de roer o vermelho das unhas do animal grande que o libertou. Encara isso como um sinal de gratidão. Parte novamente.

4.5.14

VI . Júlia. Após a piscina.


O fundo azul. As pernas brancas flutuando, diversas e náufragas. As pontas dos cabelos invadindo o campo de visão. Um dos mamilos imitando um periscópio cego. Cinzas de cigarro como se fossem vestígios um acidente aéreo minúsculo e desimportante. 

Júlia sonha levemente com um povo azul, subaquático. Pequeno, se comunicando através de sorrisos e toques nos rostos. Olhos totalmente negros e os cabelos negros em uma constante pré-revoada que nunca acontece. Eles têm os peixes que vivem no fundo dos mais fundos dos oceanos como companheiros. Tudo ao redor é absurdamente escuro, literalmente abissal, mas mesmo assim sobrevivem. O povo azul gosta do abismo e se sabe azul somente porque os peixes abissais carregam pequenas fontes naturais de luz penduradas sobre a cabeça ou cobrindo todo corpo. Ninguém do povo azul encosta neles temendo que essa luz se comprometa.

"Algumas pessoas - Júlia pensa, abrindo os olhos lentamente - são como esses peixes, misteriosos e estranhos, intocáveis e merecedores de certa distância pelo simples fato das suas luzes serem importantes a ponto de não serem tocadas por ninguém além daqueles escolhidos para as tocarem." 

Levanta-se da piscina. Seu corpo branco parece ainda mais branco, como se a água tivesse a capacidade de sacar um pouco da cor da epiderme. Júlia olha para si própria, sem espelho, e observa um corpo estranho e trêmulo. Não se sente si mesma mas, mesmo assim, sabe que logo precisará retornar ao seu reino, si própria. São quase seis da manhã. Parte do mundo já está acordada e fazendo barulhos.

Mesmo sozinha, Júlia se veste para dormir e escova os cabelos com critério. "É na solidão que o nosso estilo é posto à prova". Deita-se. Irá ajustar o alarme para dali a seis horas. Às duas deverá estar à postos na loja de maquiagem. Antes de ajustar o alarme, lê várias mensagens de texto deixadas por Ângela. 

Satisfações: "Agora tá tudo bem. Já tô mais calma e ele não voltou a ligar...E acho que nem vai."

Agradecimentos: "Muito obrigado (sic) por ter sido a única pessoa a me ajudar naquele momento tão difícil. Espero muito poder ser sua amiga e, quem sabe, um dia poder retribuir essa força."

Convite: "Que tal a gente se encontrar durante a semana? Entra em contato pra ver ser a gente se diverte um pouco. Meu rosto já tá bem menos inchado."

Júlia não tinha amigos e nunca recebera tantas mensagens de uma mesma pessoa. Sempre mandava um "oi" e recebia respostas vagas e intransitivas das colegas da loja ou mesmo de um possível pretendente. Em princípio achou ser algo relativo à sua escrita. Pontuação, mal uso de emoticons ou algo assim, mas com o passar do tempo, achou ser ela mesma o problema. As pessoas simplesmente não gostavam dela o quanto deveriam.

Definitivamente iria encontrar Ângela durante a semana.


3.5.14

St. Vincent. Prince Johnny. (HD). Live In Paris.2014.






Annie Clark is a dicreet but powerful, elegant genius. 

I´ve been trying to figure out what this song is exactly about. 

It could´ve been written for an old lover, an unborn son, a best friend, a gay lover, a wannabe king, an imaginary friend, a twisted monk who breaks vows. 

I´m not sure, and don´t think I´ll ever be. So I´ll keep listening to it.
.
.
(4 beat pause)
G Em
But honey, don't mistake my affection
G Em
For another spit-and-penny style redemption
D C G
Cause we're all sons of someones
D C G
We're all sons of someones
.
.