24.4.15

Viagem em casa


Nas duas últimas viagens  experimentei a desfragmentação e a vontade da volta. A primeira em São Paulo e a segunda em Fortaleza. Algo momentâneo ou não, a vontade de priorizar a casa ante uma cidade estranha me pegou de surpresa. A ponto de não conseguir entender quem tem planos de estar sempre viajando.

Estou ficando velho, desta vez realmente. Toda a extensão da Avenida Paulista sem nada de novo. O mar da Praia do Futuro com suas ondas repetitivamente agressivas.

As duas cidades carregam imenso significado. São Paulo é uma constante em meu relacionamento com a minha mulher. Em Fortaleza vivemos as núpcias. A carteira sempre no bolso da frente para não ser tomada pelo Atlântico. As alianças deixadas no hotel  para não serem puxadas pelo metrô.


O metrô e o mar quando repetidos tornam-se insuficientes.


A viagem para o simples experimentar do novo, fuga ou alívio da cidade-mãe, perdeu o sentido. Não tenho necessidade de fuga ou alívio. Existo aqui, em Manaus. Não preciso conhecer nada e voltar permeado por um conhecimento invisível ou uma nostalgia inútil. Passar a mão por corredores distantes, experimentar esse ou aquele sabor ou ter essa ou aquela outra vista tridimensionalmente. 

As viagens são dispendiosas. Os aviões são desconfortáveis e todas as aeromoças exilaram-se em uma ilha distante. As camas e os chuveiros alugados, por melhores que sejam, não são os meus.


Preciso reinternalizar o processo da viagem. Revalidá-lo. O simples fato de deslocar-me algumas milhas não me torna outro. Apenas o mesmo em paisagens novas. Ou simplesmente posso deixar de viajar. Sinto-me mais completo aqui; em frente ao meu bom e velho computador, do que atravessando uma rua, até então desconhecida, pela segunda vez.

Este sentimento de completude é algo novo, trazido, acredito, pela constância das viagens. Talvez este seja o grande sentido delas, encontrar-se a si próprio. Sendo assim, vou até a esquina e volto. Sento. E escrevo o que escreveria em qualquer outro lugar do mundo. 

Estou em casa. 


16.4.15

Little Brother






g     o     t     t    a         





m   i   s   s       





m  y                  



                                         C  O  U  R  S  E  R  A      


f  a  n  t   a   s    y  



             a  n   d    


s  c  i  f i    


       c  o   u   r   s   e



2.4.15

Camus in the right place





I don´t know who you are,

But I´ll find you 

And lick 

you(r)

Right

Arm

Pit


O horizonte

O horizonte — visto da minha janela — não é um horizonte clássico realmente — e sim um céu bordeado por árvores insistentes em existir — ...