5.8.17

Ódio Social


Você pensa no life spam. Em todas as coisas legais e todas as merdas que fez e que mesmo assim ainda te deixam vivo e cheio de memórias. As coisas legais acontecem em uma frequência muito maior do que as merdas, mas estas últimas sempre são mais marcantes. Ou ambas se misturam e as coisas ficam ainda mais complicadas de serem esquecidas. Exemplo: Tudo era tão legal e prazeroso, até ficar uma merda (ou mesmo) quase acabar com a minha vida. Li recentemente vários posts sobre um tal aplicativo que permite a alguém mandar mensagens anônimas a outrem. A premissa cínica era a de que, dessa forma, anônimos se encorajariam, dariam “uma força” uns aos outros – como se o aplicativo fosse ser utilizado por pessoas de um outro planeta, e não humanos. Humanos adoram guardar rancores, odiar, ou foder uns aos outros, muitas vezes com tudo ao mesmo tempo. Não criei e jamais criarei uma conta nessa coisa. Várias pessoas já disseram que me odeiam sem precisar utilizar aplicativo e algumas outras me odeiam sem nem ao menos precisarem falar isso. Outras me amaram, fodemos e depois nos odiamos, mesmo continuando nos fodendo e nos desprezamos ou odiamos por termos que continuar fodendo pela falta de amor de outrem e no final das contas fui odiado por ter deixado ou ter continuado como alguém que não espera nada porque não há nada além do life spam. 

Mas digresso. 

E continuarei em minha digressão. Realmente não sei o que faz alguém odiar outrem gratuitamente. Sem ter tido um familiar morto por esta pessoa ou ter perdido um membro do corpo ou tudo o que possuíra: casa, carro; o que a maioria das pessoas consegue possuir e que, no balanço universal, não vale absolutamente nada. A amizade vale, até um dos amigos morrer e lá estou eu digressando novamente. Digo odiar por odiar. Ter o seu pensamento direcionado a alguém constantemente e desejar algo de mau ou simplesmente ter raiva dessa pessoa. Isso vale um estudo. Um estudo que não mudará nada como todo estudo, mas que mesmo assim será um estudo. Eu não odeio ninguém. Fato. Isso não me faz melhor ou pior, mas me desocupa muito, mas muito tempo. Escrever isto, claro, já é uma perda de tempo, mas como não possuo interlocutor no momento, me expresso por aqui, um espaço tranquilo e sem o fluxo constante e caótico de outras redes sociais. Há um desejo sadomasoquista e egocêntrico em se abrir a uma rede onde mensagens anônimas são trocadas. Qual a utilidade disso? É algo como ouvir uma voz ou receber um papel por baixo da porta sendo que você jamais poderá esmurrar, abraçar, comer (ou todas as coisas ao mesmo tempo) ou mesmo agradecer a quem te mandou tal mensagem. Tudo posto, esta mensagem é pra você, que ainda lê o que escrevo.

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O horizonte — visto da minha janela — não é um horizonte clássico realmente — e sim um céu bordeado por árvores insistentes em existir — ...