tag:blogger.com,1999:blog-37835473.post-1168723540710374532007-01-13T18:10:00.001-03:002009-01-31T03:15:03.148-03:00O Olho Mágico do Amor<div style="text-align: justify;" face="georgia"></div><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;">Essa semana o <a href="http://globosat.globo.com/canalbrasil/">Canal Brasil</a> exibiu <b>O Olho Mágico do Amor</b>, filme de 1981, realizado pela dupla José Antônio Garcia (1955-2005) e Ícaro Martins.</span></p><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;">O filme possui lugar cativo em qualquer lista de filmes <span style="font-style: italic;">cult</span> por se destacar pela ousadia e variedade erótica apresentada ao longo dos seus 85 minutos; além dos elementos humorísticos e nonsense característicos das pornochanchadas nacionais. Assisti o filme pela primeira vez há uns quinze anos, na Bandeirantes, e as suas cenas permaneceram no meu imaginário ao lado de outros filmes como <span style="font-weight: bold;">Mulher Objeto</span> (protagonizado por <a href="http://ex8d5mwmwdoqom3w3i0.usercash.com/">Helena Ramos</a>) e <span style="font-weight: bold;">Matou a Família e Foi ao Cinema</span> (protagonizado, entre outras, por <a href="http://www.clublez.com/movies/lesbian_movie_scenes/m/matou_a_familia_e_foi_ao_cinema/index.html">Claudia Raia e Louise Cardoso</a>).</span></p><div style="text-align: justify;" face="georgia"></div><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;">Se há dois dias as cenas ainda me surpreenderam, imagino quando, no baixo dos meus onze anos, as assisti pela primeira vez. Conscientemente ou não, estes diretores ousados e suas atrizes sem-vergonha apaixonadas por cinema prestaram um enorme serviço à formação cultural erótica de seus garotos espectadores, entre eles este que vos escreve. </span></p><div style="text-align: justify;" face="georgia"></div><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;">O argumento do filme é mínimo, o roteiro parece ter sido improvisado em tempo real, a abertura é horrenda, a cenografia é mínima e paupérrima e o áudio (por ter sido gravado depois) é dessincronizado e exagerado, não raro com trechos toscos onde os gemidos e risadas não parecem terminar nunca. Mesmo assim, além da ousadia e da libertinagem que transcende qualquer temática feminista ou machista (sendo esta quase sempre lugar-comum nos outros filmes do gênero), em nenhum outro filme podemos ouvir uma trilha sonora onde John Lennon, Luis Gonzaga, Jorge Mautner e Roberto Carlos andam ao lado de temas intrumentais horrorosos que fazem fundo às peripécias de <a href="http://www.clublez.com/movies/lesbian_movie_scenes/o/olho_magico_do_amor_o/index.html">Tânia Alves e Carla Camurati</a>: a primeira, demoníaca; a segunda, linda, jovem e ousada em seu primeiro papel no cinema.</span></p><div style="text-align: justify;" face="georgia"></div><p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoBodyText" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;">A história começa quando <span style="font-weight: bold;">Vera</span> (Carla Camurati) é contratada pelo <span style="font-weight: bold;">Dr. Prolíxenes</span> (Sérgio Mamberti) para ser secretária da estranha Associação Paulista de Ornitologia (ramo da biologia que estuda as aves). Logo no primeiro dia de trabalho, Vera percebe que existe um furo na divisória do escritório e que, através dele, é possível ver o quarto de <span style="font-weight: bold;">Penélope</span> (Tânia Alves), uma prostituta que recebe clientes nada convencionais: um pederasta católico adepto da inversão com vela (acesa); um padrasto afeminado <span style="font-style: italic;">voyeur</span> da enteada lésbica; um marginal dominador; uma dupla de músicos (interpretados por Jorge Mautner e Nelson Jacobina); além dos clientes convencionais, como o próprio Dr. Prolíxenes e um estudante interpretado por Casagrande (irreconhecível), que paga metade<span style="font-size:0;"> </span>do preço até ser descoberto por <span style="font-weight: bold;">Átila</span> (Ícaro Martins), cafetão de Penélope, um homem agressivo pelo qual Vera começa a sentir-se estranhamente atraída.</span></p><div style="text-align: justify;" face="georgia"></div><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;">Não demora muito para que o clima lúgubre, erótico e perverso do quarto passe a influir na vida de Vera. Além da crescente atração por Átila e Penélope, ela se torna mais ousada com o namoradinho e começa a passar mais tempo no escritório do que em casa. Não demora muito para que ela resolva entrar no universo paralelo ao lado do escritório: vai à procura de Penélope e acaba encontrando Átila que, usando a agressividade característica, transa com Vera em plena calçada da Rua do Triunfo, na Boca do Lixo. Após o susto e a resolução dos conflitos internos, Vera decide retornar à rua para vingar-se de Átila e finalmente conhecer Penélope. O <a href="http://w11.easy-share.com/704190.html">final</a> do filme é uma espécie de epifania lésbico-anárquica.</span></p><div style="text-align: justify;" face="georgia"></div><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;"><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;">Recentemente, li na revista <a href="http://www.revistapiaui.com.br/">Piauí</a> um excelente texto da Fernanda Torres que falava sobre as agruras do ofício de ator. Entre outras coisas e casos, ela comentou que entre eles, os atores, o Canal Brasil foi apelidado de “quem deve treme”, por estar constantemente revisitando “clássicos” da pornochanchada ou adaptações <span style="font-style: italic;">hardcore</span> das peças de <span style="font-weight: bold;">Nelson Rodrigues</span>. Exceto por <span style="font-weight: bold;">Amor, Estranho Amor</span> (filme onde a <a href="http://dw11t7ha-96dv-6rvpdp.usercash.com/">rainha dos baixinhos</a> mostra porque merece a alcunha), vez ou outra são exibidos títulos onde atrizes que hoje já dobraram o Cabo da Boa Esperança (ou que estão desaparecidas) ainda esbanjavam juventude, beleza e libertinagem.<br /></span></p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;">Seria um puta falso moralismo condena-las por estes filmes pobres e picarescos; muito mais ainda de chamá-las de desavergonhadas ou hipócritas (exceto pelo já citado exemplo da rainha) por terem participado, na época, da única forma de cinema possível e interessante ao grande público.<span style="font-size:100%;"><br /></span></span></p> <p class="MsoNormal" style="text-align: justify;font-family:georgia;"><span style="font-size:100%;"><span style="font-size:100%;">Considero filmes como O Olho Mágico do Amor <span style="font-style: italic;">cults</span> absolutos. Tentativas corajosas e desesperadas de fazer cinema que, mesmo pobre, sacana e despretensioso, chegava a ser heróico pelo empenho e por não fazer concessões morais em uma época onde a censura não só perseguia (como ainda hoje persegue) como também ditava as regras do que era exibido. Além de criar semideusas nuas e marginais que ainda hoje permanecem vivas no imaginário do público e que, a exemplo do quarto de Penélope, sempre serão referências paralelas, saudáveis e desavergonhadas.</span> </span></p><div class="blogger-post-footer"><img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37835473-116872354071037453?l=mundoproprio.blogspot.com'/></div>João Franciscohttp://www.blogger.com/profile/03810227749486743676noreply@blogger.com1