19.7.10

College


Um flash sideway equivale a uma realidade paralela. Algo que seria se certo fato anterior não houvesse acontecido. Essa é cidade que procuro e encontro na sexta. Internamente e externamente o todo colabora. Faz bastante frio e na Lapa buscamos os bares baratos antes da casa principal. Onde é a College costumava ser um cinema. Percebemos pelo aclive até a parte externa, um fumódromo improvisado. Quando morrer, aquele garotinho taliandês que fuma dois maços de cigarro por dia será ordenado o padroeiro dos fumantes. Ou seja, daqui a dois anos os fumantes terão um padroeiro.


Mas voltando para dentro da casa: o aclive do antigo cinema estreito é um ambiente único. Sobre uma antiga tela de cinema se projeta o tipo de música que o DJ está tocando. Punk. Rock. Pós-punk. Anos 80. Anos 60. Rock and Roll. Didático, isso. Lá pelas tantas, o DJ dá lugar a uma banda cujo nome, fonte não confirmada, se chama Mix Tape. Três marmanjos e uma vocalista e tecladista, Aline, grandalhona, vestido justo com estampa tatuada, branquela, nariguda, linda. Eles iniciam tocando Sabotage e terminam com Rearviewmirror.


Quando se visita uma cidade é fundamental a presença de um não-guia. Alguém que viva lá mas não compartilhe do senso comum. Richard é o não-guia perfeito. Durante os cinco anos que tem vivido no Rio aprendeu a sobreviver com estilo, sem comprometer seu topete rockabilly. Conheceu alguns figuras. Selecionou os lugares que não são roubada. E nesse ínterim emendou uma graduação na outra e agora está no doutorado e talvez se tornou o único lacaniano rockabilly do mundo.


Após encontrar a mim e aos dois bravos amigos que me acompanharam, nos cumprimentou como se tivesse nos visto no dia anterior e nos guiou até a Lapa interditada, com seus arcos pintados pela metade por estarem em reforma. Gente andando em todas as direções. Não vi nenhum sambista, não ouvi nenhum samba incidental. Porque esta foi uma viagem paralela. Para reconstruir uma cidade e salvar uma outra, Rio, esta que agora piso com as mãos nos bolsos. Ou me encosto ao balcão. Ou grito em voz alta músicas que só ouvira dentro dos meus fones de ouvido.


A noite salva, ainda melhor que a anterior, foi o impulso para a noite seguinte. Copacabana. Nessa fui sozinho.



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