16.7.10

Rio e os Flash Sideways


Segunda-feira passada. Antes de partirmos de Manaus para o Rio, não consegui evitar a sensação um pouco incômoda e melancólica de lembrar o tema de piano que toca durante o final de Lost. Aeroporto. Pessoas se encontrando e se cumprimentando antes de partirem em uma jornada. Dissipei a música com um sai pra lá mantrificado. Jack.

É terça-feira neste parágrafo. Chegamos ao Rio e o nosso primeiro encontro foi com um guia ridículo. Um homem de meia-idade. Cabelo grisalho-calhorda. Passou a viagem toda ironizando e brincando com os aspectos negativos da cidade. Linha Vermelha. Cristo Redentor. Segundo ele, os cariocas têm o corpo bonito e o rosto feio. A náusea da noite não dormida se dissipa quando ponho os pés na praia e toco novamente todo o oceano atlântico. O mar é frio e verde.


Neste parágrafo eu durmo profundamente e não posso relatar quaisquer acontecimentos.


Quando viajo tento dormir o menor tempo possível. Existe uma cidade nova lá fora. Recém-fundada aos meus olhos, com tantos e mínimos elementos de fascínio causadores de ânsia. Conseguimos escapar ao litoral que parecia Maceió e no segundo dia pusemos os pés na cidade.

O centro e os shopping centers, o frio e as pessoas fumando espremidas na calçada me faz lembrar São Paulo e sinto saudades. São Paulo poderia continuar suspensa em meus sentimentos se eu não houvesse decidido reconstrui-la. Para isso tomo emprestadas as calçadas do Rio. Esqueço o mar e me concentro no frio que faz. Na garoa. Nas caminhadas compassadas cerveja Original e cigarro com meus amigos. Consigo.

Mas isso não foi tudo.


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