4.1.13

A real



Muito me surpreende esse glamour relacionado aos vampiros como se tais serem ao menos existissem. Eles não existem, asseguro. Conheci um deles. 

Uma delas, na verdade. Sessenta e quatro anos. Morrera aos vinte e um ou, como ela própria gostava de dizer, passara à imortalidade. Uma grande mentira.

A aparência embalsamada, o palor cadavérico nada tinham de atraente. O hálito de sangue coagulado muito menos. Sem quaisquer forças sobrenaturais. Apenas alguém em um estado suspenso.

Perguntei qual a graça. De quê? Ela re-indagou. De permanecer vivo quando você já deveria ter sido comida pela terra. Eu gosto das luzes, ela disse. 

Os olhos não refletiam luz alguma. Dei um abraço e senti ossos e pele rígida. Quando fui ao banheiro, um inseto correu pela lapela do meu terno. Não voltei mais.


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