25.7.13

Núpcias


A felicidade é um sentimento raro. O alto da montanha, onde Sísifo aprecia o mar, o sol, o horizonte claro, e vê o fruto de tanto esforço ser recompensado, mesmo durando apenas um curto intervalo de tempo.

Eu lembro das minhas leituras. Dos catorze anos em diante. Os livros existencialistas. Nunca os considerei substancialmente pessimistas. Realistas, apenas. Toda aquela filosofia me fez olhar ao redor de forma crítica, me fez ter esperança de sair do ordinário, gostar mais ainda das mulheres e dos amigos (nunca das mulheres dos amigos), aproveitar a brevidade da saúde e do fértil, a brevidade da vida.

As dificuldades e os entreveros ao longo dos anos fazem os momentos de felicidade serem ainda mais valiosos e intensos. Aquela felicidade silenciosa acompanhando os nossos passos junto às pessoas comuns. O sol de Fortaleza, a varanda do apartamento. No início dá certo medo, logo transposto pelo cuidado.

Entramos e saímos de galerias. Em pleno meio-dia surgiu-me a idéia clara de um romance. Dias antes, na festa de casamento, vi-me, vi-nos, vi a todos em um autêntico filme musical, um autêntico final de novela onde todos dançavam, abraçavam-se e eram felizes de verdade. Tal felicidade se prolongou à festa, avançou os dias, conciliou e reuniu casais. 

Naquela manhã e tarde de domingo, dia 14 de julho, algo muito bom foi feito. E não apenas ficamos. Permanecemos felizes. 

Observando o mundo abaixo, o mar, o horizonte, e antes disso. Sentimos as núpcias gelando e esquentando o corpo, tornando válido todo os aspectos da existência. O positivo dos livros, enfim, correndo pelo sangue.

A pedra não rolou mais montanha abaixo. A montanha, quando transposta, desaparece sob os pés, vira chão, apenas. Nos demos conta disso quando vimos um platô a mantendo a pedra estável. E, no final do terreno, oposto ao horizonte, o início de uma outra montanha, nova e desconhecida.

Encararemos essa nova sem medo. E de mãos dadas, delicadamente, iniciaremos mais uma subida. 


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