29.12.17

Os Seios que Salvam os Filmes Ruins







Decidi assistir Blind Date (1984) movido por dois desejos que não mais podem ser considerados tardios, e sim eternos: o de gostar de filmes que de tão ruins são interessantes, e o de gostar de seios. 

Explico. Sou de um tempo onde não escolhíamos os filmes - os filmes nos escolhiam - e seios eram difíceis de serem vistos. Na minha época, para olhar um par de seios anônimos ou famosos você precisava ter idade e coragem suficientes para ir a uma banca de revistas ou aguardar sessões pós-meia noite na televisão para observar, inocentemente boquiaberto, seios anônimos ou famosos. 

Em contrapartida, durante os anos 80, 90 e comecinho dos 2000, nunca tantas modelos e atrizes famosas toparam participar de ensaios fotográficos. Movidas pelo clamor silencioso do público masculino, as editoras não mediam esforços para chamar patrocinadores e bancar ensaios caríssimos que brevemente pagavam os investimento ao vender milhões de cópias. Era um acordo entre damas e cavalheiros.

Até a internet e os escâneres chegarem com tudo e acabarem com a exclusividade e o charme das revistas, tornando-as peças de colecionador. Hoje ainda possuo uma pequena coleção de clássicos, aceitos pela esposa, e discretamente visíveis na prateleira mais alta de minha modesta biblioteca.

O grande mérito de tais décadas passadas foi o fato de todas as famosas nuas estarem ali por seu próprio consentimento. Um ato voluntário, pensado, negociado e legalizado. Ao contrário das fotos infames hackeadas e vazadas de forma covarde das quais as celebridades modernas vez ou outra tornam-se vítimas. 

Voltando ao filme ruim que em português recebeu o título de 'Visão Fatal'. Tudo nele é ridículo e anacrônico. 

É a história de um sujeito babaca que anda de walkman pra cima e pra baixo e joga videogame usando seis televisões de tubo. O cara é babaca a ponto de namorar a Kirstie Alley e ainda assim seguir uma modelo que parece sua com a sua ex-namorada. Em uma ocasião ele é descoberto, literalmente, atrás da moita observando a modelo. Ele corre desesperado pela floresta e dá de cara com um tronco, o que o faz perder a visão. 

Após se oferecer como cobaia para um experimento ultra-tecnológico, ele consegue desenvolver uma visão sonar 8 bits interligada ao seu walkman que o torna apto não somente a locomover-se como um Daredevil movido à pilha, mas a investigar e perseguir um serial killer que anda pelas ruas de Atenas matando moças sem saber que uma delas era a Marina Sirtis. 

Falando nela (o grande motivo de eu ter decidido assistir a tal filme ruim) posso dizer que nem tudo no filme é ridículo e anacrônico. As mulheres, famosas ou não, então utilizadas apenas como chamariz (palavra velha, sei) são hoje o que o torna digno de ser visto. 

A história, a trilha e os argumentos risíveis o desintegraram. A beleza de Kirstie Alley e, principalmente, a primeira aparição de Marina Sirtis em uma cena curta e absurda onde ela nem parece ela mesma, é o que mantém os torrents de Blind Date ativos até hoje.



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