5.3.18

Redes


Precisa ir ao banheiro. É madrugada, duas ou três da manhã, e o barco está no meio do rio e mesmo assim deixando uma margem escura visível. O que se passa dentro das margens, um conjunto úmido e verde, é vazio e desconhecido. Solo úmido e bichos. As redes balançam. Vários passageiros roncam de firma quieta. Põe o pé para fora da rede e o recolhe. Está no segundo andar das redes atadas. Logo abaixo dele uma senhora dorme. Calcula o pulo breve e acerta. Seus pés estão sobre o chão metálico. Tudo ao redor são redes. Esgueira-se. Chega ao corredor que o levará até o banheiro. Entra. O banheiro parece ter sido construído sobre o motor do barco. Tudo nele vibra. Termina e abre a porta. O que vê é uma redisposição de tudo o que vira antes. Precisa voltar à sua rede.


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