25.4.18

Professores controlados por botões



Iniciei mais uma pós-graduação, desta vez em Língua Inglesa. Diferentemente da primeira, em Tecnologias na Aprendizagem, essa tem um vasto material em vídeo, tendo cada módulo dez horas ou mais de aulas filmadas. É como maratonar uma série. A primeira temporada sobre tempos verbais e a segunda, ainda pela metade, sobre preposições e todas as suas variações. Parece chato, mas não é. Não para mim.


Ao final do primeiro módulo, tive uma surpresa. Após mais de uma dezena de horas assistindo aulas cara a cara com o professor discorrendo doutoramente sobre gramática e hacks linguísticos, descobri, dias depois, que ele havia morrido há quase uma semana. 


As aulas são assíncronas. Sendo assim, não só ele permaneceu vivo em vídeo, como possivelmente permanecerá pelo menos mais algum tempo. Vários alunos possivelmente ainda estão terminando este módulo sem estarem cientes do fato de o professor não mais estar no mundo além de sua versão gravada, assistida por centenas de alunos cujos rostos nunca viu e jamais virá.


Apesar de não ser muito diferente de uma música ou um livro, nestas horas a tecnologia mostra esta face triste. Até o final do curso, ainda farei mais dois módulos com o professor que agora é apenas vídeo e slides. 

Sua relevância, porém, é a mesma. Vivo ou não, um professor, quando em sala de aula, deve ser somente e apenas professor. Vivo ou não, o que é é difícil.



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